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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Apenas um gesto de gentileza


Avenida Rio Branco, Centro do Rio de Janeiro, 17h55min de uma sexta-feira qualquer.

Era mais uma daquelas passeatas intermináveis reivindicando o que a gente nem tem idéia, tornando o trânsito da cidade ainda mais caótico e enervando quem queria somente ir pra casa depois de um dia de trabalho.

De repente, saído não se sabe de onde, um bêbado trajando um terno em frangalhos postou-se à frente da passeata, desfilando com passos trôpegos e fazendo um discurso totalmente sem sentido em que se juntavam críticas à polícia, aos políticos e à própria passeata, que eram arrematados pelo canto em voz altíssima de um velho samba de Paulinho da Viola: "Se um dia/Meu coração for consultado..."

Os passantes riam enquanto os integrantes da passeata tentavam em vão tirar o bêbado do caminho numa cena ao mesmo tempo cômica e grotesca numa luta que parecia não ter fim.

Foi quando uma senhora que tentava contornar a passeata tropeçou no bêbado (que oscilava à esquerda e à direita como um pêndulo) e caiu.

Totalmente descontrolado, um homem empurrou o bêbado, culpando-o, enquanto outro levantava a senhora... mas o bêbado recuperou-se do empurrão, voltou à cena e tirou no bolso do paletó uma rosa amassada mas com algumas pétalas ainda mostrando o seu vermelho, entregando-a à senhora que, entre incrédula e admirada, aceitou-a com um sorriso.

Eu não tinha mais tempo para ver no que aquilo tudo ia dar. Mas fui embora com a convicção de que sempre cabe um gesto de gentileza, seja qual for a situação.

Entre tantos de nós, preocupados com os nossos compromissos ou com a volta para casa, ou mesmo entre os que protestavam por um mundo melhor, foi preciso aparecer um bêbado para mostrar a força de uma rosa, que resgatou não de seu bolso, mas do fundo do seu coração.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A vitória da difamação


Wilson Simonal é daqueles poucos cantores que tem um estilo próprio. Dono de um vozeirão inconfundível e de um balanço até hoje não igualado, ele começou a carreira no início da década de 1960 e alcançou o estrelato no início da década de 1970, teve um programa de TV, fez duetos com gente como Elis Regina e Sara Vaughan, onde mostrava seu timing inigualável e regeu o Maracanãzinho lotado mostrando que ele era o dono da área naquele momento.

Mas de repente Simonal passou das páginas de amenidades para as páginas policiais, num primeiro momento, e de repente foi taxado de dedo-duro numa época em que não se tinha escolha: ou se era contra ou a favor da ditadura militar.

Sabe-se hoje que o boato partiu de Jaguar, conhecido por suas constantes bebedeiras e que mais tarde recebeu milionária indenização como "perseguido político".

Simonal morreu pobre e esquecido, porque seus discos sumiram das prateleiras e deixaram de tocar nas rádios por mais de 30 anos. Tudo porque um bêbado um dia achou que ele era dedo-duro.

Recentemente, o lançamento do filme "Ninguém sabe o duro que dei" fez um resgate (ainda que tímido) da vida e carreira de Simonal, que (ironia do destino) morreu também no dia 25 de junho (só que há 9 anos), como Michael Jackson.

Por trás dos escândalos que permeiam a vida de Jackson e da perseguição a Simonal, está uma palavra que poucos ousam proferir, que muitos praticam e que a sociedade, hipócrita, diz não existir: racismo!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Michael deixou suas marcas


Quem gosta de música não ficou imune à passagem de Michael Jackson pelo planeta Terra.
Desde menino, ele se acostumou ao sucesso, aos aplausos, ao dia-a-dia dos palcos e conviveu, ainda, com a pressão do pai, que viu no talento do filho a oportunidade de sair da miséria.
Mas Michael jamais se livrou das amarras do seu velho pai e transformou o sofrimento em fuga, refugiando-se em seu rancho (não por acaso denominado de Neverland) e almejando ser uma eterna criança, agora com muita grana e todos os brinquedos que o dinheiro possa comprar.
Michael revolucionou a música, principalmente os videoclipes a partir de "Thriller", dando um novo sentido ao que se dizia ser apresentação de um astro pop.
Pena que a mídia teime em divulgar os escândalos, as manias e os bastidores da luta pela fortuna deixada por Michael, em vez de destacar o legado musical deixado por ele.
Se você é fã de Michael, esqueça o noticiário e ouça suas músicas e veja os clipes idealizados por ele.
Está tudo em sua obra.
A genialidade de um visionário que misturou cinema, música, teatro, mágica e dança e transformou a história da música popular mundial.
Michael sepultou de vez o banquinho e o violão e arrebatou multidões por todo o mundo porque no palco ele era ainda mais genial e seus fãs descobriam que tudo que ele fazia nos videoclipes era capaz de fazer ao vivo em seus shows gigantescos.
Prefiro o Michael cantor-compositor-multiinstrumentista-dançarino-mágico ao Michael dos escândalos fomentados pela mídia.
Durma em paz, Michael, você deixou sua música e seus videoclipes. E eles te eternizam!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O otimismo de Lula contra o pessimismo dos economistas

Economistas fazem parte de uma raça estranha e privilegiadíssima.
Nunca uma classe errou tanto e nunca foi tão prestigiada.
No início do Governo Lula, os economistas de plantão anunciavam a hecatombe. Era o fim de um período de estabilidade.
Quebraram a cara!
Agora, num momento em que a economia mundial vai muito mal das pernas e até organismos estrangeiros reconhecem a solidez de nossa economia, a grande imprensa comanda uma onda de boatos sobre uma possível desaceleração de nossa economia, enquanto o presidente Lula anuncia que o Governo vai lutar por um crescimento de 4% em 2009.
Na verdade, apesar de toda o alarmismo da grande imprensa, todos sabem que o máximo que pode acontecer com a economia brasileira é de termos um crescimento menor do que o esperado antes da crise. Enquanto isso, os EUA e países da Europa já assumiram uma recessão sem precedentes.
Acho que já passou da hora de se lançar uma campanha do tipo "Eu odeio economistas!"
Ou, melhor, exportá-los!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A dinamite que implodiu o Vasco


Roberto Dinamite conseguiu se eleger como presidente do Vasco com a promessa de mudanças.

A primeira e mais estrondosa foi o rebaixamento do time para a Segunda Divisão.

Após este fracasso retumbante, Roberto mostrou que não veio pra mudar nada, pois sua primeira medida foi demitir o técnico, Renato Gaúcho. Igualzinho aos demais dirigentes esportivos.

À exemplo de Eurico, Roberto senta-se à tribuna de honra do Vasco e fica observando os jogos, exatamente igual ao seu antecessor. Só faltam os charutos.

Ontem, logo depois da eliminação do time, mais uma vez Roberto repetiu Eurico, pois o aparato policial que impediu o trabalho dos repórteres foi fenomenal.

Se ele tivesse conseguido montar um aparato igual no futebol, certamente o Vasco teria disputado o título e não lutado até o fim contra o rebaixamento.

Agora, Roberto anuncia aos quatro ventos uma parceria com a Eletrobrás estatal, intermediado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral Filho.

Roberto é oriundo de uma família pobre e encontrou a sua redenção no futebol.

Em respeito à sua trajetória enquanto jogador de futebol e ao seu passado pobre, Roberto deveria rever com quem se alia, seja lá em nome do que for.

Cabral vem se notabilizando por uma política de Segurança em que PMs invadem comunidades carentes atirando e vitimando crianças, idosos, gestantes e outros sem qualquer tipo de cuidado. Enquanto isso, o tráfico de drogas na Zona Sul (estou falando do asfalto) tem um tratamento, digamos, frouxo (vide o que acontece no Posto 9).

Pobre Vasco. Livrou-se da ditadura Eurico e caiu na esparrela do político Roberto, que até hoje tem se mostrado invisível para a população e que jamais tomou partido das causas populares.

O Vasco merece mais por seus 110 anos de história. Por ter sido o primeiro clube do Rio a admitir jogadores negros em seu time. Por ter um passado democrático e de glórias.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Hoje é o Dia Nacional do Samba


Hoje é o Dia Nacional do Samba, comemorado no Rio de Janeiro com diversas atividades culturais, sendo a mais conhecida delas o Pagode do Trem, que a partir das 19 horas leva os amantes do samba da Central do Brasil a Osvaldo Cruz, onde acontecem diversos shows em homenagem à data. E o melhor é que é tudo 0800.
Discriminado e marginalizado no início do século passado, o samba resistiu a perseguições e violências de todas as ordens para se tornar patrimônio cultural do Brasil.A parte mais visível e conhecida do samba são as agremiações carnavalescas do Rio de Janeiro, que proporcionam ao mundo o maior espetáculo cultural a céu aberto do planeta, constituindo-se numa afirmação da criatividade do povo brasileiro.Não citarei um nome para não omitir inúmeros devido à falta de espaço, mas deixarei os versos imortais de um certo poeta da Vila, que dão um toque em todos que ainda não se definiram pela brasilidade:"Quem acha, vive se perdendo/por isso agora vou me defendendo/da dor tão cruel de uma saudade/que por infelicidade/meu pobre peito invade.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Nova lei dos call centers respeita o consumidor

Entraram hoje em vigor as novas regras para os chamados call centers, que prometem maior proteção e respeito aos consumidores e, também, punição severa para as empresas que não respeitarem as novas normas.
Mas é importante que você faça a sua parte.
Toda vez que você ligar para um call center deve anotar data, hora, nome do atendente e o motivo da ligação e (importante!) exigir o envio do comprovante do registro da solicitação ou reclamação.
O Decreto nº 6.523/08—que regulamenta os call centers—estabelece que as empresas devem gravar e registrar a ligação, contendo data, horário, número de protocolo e motivo do contato. Caso o consumidor solicite, o conteúdo do registro deverá ser enviado por e-mail ou correspondência ao endereço fornecido.
Ou seja, a nova lei inverteu o ônus da prova que passa a ser da empresa prestadora de serviço, que terá que provar que atendeu à solicitação do consumidor.
Caso o consumidor se sinta lesado material ou moralmente deve registrar sua reclamação nos órgãos de defesa do consumidor ou na agência reguladora do serviço (Anatel, Aneel etc.) para que a empresa seja punida.

O que diz a lei:
1) O Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) deve funcionar 24 horas por dia e sete dias por semana;
2) O número do SAC deve constar de todos os documentos e material impresso entregues ao consumidor no momento da contratação do serviço durante o seu fornecimento ou na página eletrônica da empresa na Internet;
3) As informações solicitadas pelo consumidor devem ser prestadas imediatamente e suas reclamações devem ser resolvidas no prazo máximo de cinco dias úteus;
4) O consumidor deverá ser informado sobre a solução encontrada para sua demanda e, sempre que solicitar, deverá receber a comprovação pertinente pelo meio por ele indicado (inclusive mensagem eletrônica ou correspondência);
5) O SAC deverá receber e processar imediatamente o pedido de cancelamento de serviço feito pelo consumidor (isso vale pra todas as empresas, inclusive as operadoras de telefonia celular); e
6) O comprovante do cancelamento deverá ser expedido, sem ônus, e encaminhado pelo meio indicado pelo consumidor.

O guardião do espaço...

O guardião do espaço...
No meu local de trabalho num dos raros momentos de calmaria. O clik é do companheiro Claudionor Santana

Quem sou eu

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Jornalista e escritor, com passagens por jornais como Última Hora, Jornal do Commercio, O Dia e O Globo, atualmente sou Assessor de Comunicação do Sintergia (Sindicato que representa os trabalhadores do Setor Elétrico do Rio de Janeiro).