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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Somos mais que números

A busca constante pela informação, obriga-me a assistir e a ler tudo que posso. Hoje (18-12-2007) eu cumpria minha obrigação profissional assistindo ao "Bom dia, Brasil" da TV Globo, quando assisti a uma reportagem que demonstra o quanto estamos nos afastando de nossa humanidade, esquecendo o fator humano e nos prendendo somente a números.
Os apresentadores chamaram reportagem do correspondente da emissora em Nova Iorque e o rapaz disparou a apresentar dados numéricos: "O comércio dos EUA apresentaram queda de vendas nesse Natal se comparadas ao ano anterior. Enquanto isso, as vendas via Internet aumentaram 22% no mesmo período. Será o prenúncio do fim do comércio convencional?" (Obviamente, não estou transcrevendo ipsis literis o que disse o repórter).
E mais não disse, nada lhe foi perguntado e não houve nenhum comentário dos apresentadores.
Enquanto amarrava os cadarços do tênis e me preparava para mais um dia de trabalho, fiquei pensando nos milhares de atendentes das lojas comerciais que podem perder seus empregos. Nos milhões de pessoas que deixarão de ter o contato humano com os balconistas de todo o mundo. De quantos namoros começaram numa simples ida a uma loja. Das discussões entre casais premidos entre os desejos e a realidade fria da condição econômica.
Enfim, fiquei pensando no distanciamento ainda maior entre os seres humanos que a supremacia do comércio virtual pode causar.
Fiquei pensando no contato humano, dos timbres, dos sons, da entonação que dão o verdadeiro sentido aos diálogos (por mais triviais que sejam).
Senti-me um dinossauro. Um sonhador lutando contra moinhos de vento, enquanto os números vão sendo repetidos à minha volta, sem levar em conta que somos mais que números, somos seres humanos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Demos e tucanos afrontam o povo!

A imprensa comprometida com interesses de multinacionais e jogadas debaixo dos panos não tem pudor em ofender a inteligência dos brasileiros.Hoje, os jornais estampam duas manchetes, mas não fazem a ligação entre elas. A primeira é "Governo Lula sofre a sua maior derrota e CPMF cai". A outra "Cresce aprovação do Governo".Esse mesmo Senado que já afrontara o povo brasileiro absolvendo Renan Calheiros há poucos dias, agora repete a dose, tentando inviabilizar o Governo popular do primeiro presidente operário do Brasil.Vejam bem, enquanto a aprovação do governo atinge 65% (apesar dos constantes ataques que vem sofrendo da grande imprensa) essa quadrilha tenta barrar as conquistas sociais da população mais carente.O objetivo de demos e tucanos é impedir o prosseguimento de programas sociais como o Bolsa Família e o Luz para todos. É jogar de novo na linha abaixo da pobreza todas as famílias beneficiadas pela lucidez e sensibilidade de Lula.A militância petista tem o dever de sair às ruas e denunciar este fato nas universidades, colégios, associações de moradores, ONGs, bares e onde o povo estiver.A relação dos canalhas está estampada nos jornais de hoje. É guardá-la e exibi-la nas eleições do ano que vem e de 2010.Os demos estabeleceram uma luta de classes neste país. É hora de escolher, definitivamente, de que lado estamos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Renan

O Senado cometeu um atentado contra sua própria história ontem ao absolver por 48 votos a 29 o Senador Renan Calheiros. Com isso, está comprovada a tese de que no Brasil só são condenados os ladrões de galinha, os negros, os favelados e os desamparados.
As provas contra Renan são tão evidentes, que chocam pela desfaçatez com que ainda proclama sua inocência. Vejam:
Caso Mônica Veloso: a pensão para a filha da aventura extraconjugal com a jornalista foi paga por um lobista da empreiteira Mendes Junior e Renan ainda usou empresas de fachadas para justificar de onde vinha a grana.
Caso Schincariol: o Senador teria influenciado para que não fosse cobrada dívida de R$ 100 milhões da empresa com o INSS. Em troca, a empresa teria comprado fábrica da família do Senador por R$ 27 milhões, quando esta não valeria, sequer, R$ 10 milhões.
Caso dos laranjas: o usineiro João Lyra confirmou que Renan era seu sócio oculto nas operações de compra de empresas de comunicação de Alagoas.
Caso dos Ministérios: a acusação é do empresário Bruno Lins, que teria pago propina de R$ 3 milhões a pedido de Renan no que ele chamou de esquema de arrecadação de dinheiro em ministérios do PMDB.
Caso da espionagem: esquema de espionagem armado por assessor de Renan contra os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO), ambos a favor de sua cassação.
Renan está livre, leve e solto para continuar a garimpar mariposas atraídas pelo poder e exibir sua força. Um poder que, vale lembrar, que lhe foi dado pelo povo para atuar em sua defesa (do povo, obviamente).

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Era apenas uma nuvem?

A falta de tempo é o grande problema do homem moderno.
Falta tempo para estudar, se aprimorar, lembrar do aniversário do amigo, levar os filhos para passear, ler aquele livro que até já saiu de moda, assistir aquele filme que todo mundo diz que é o máximo, enfim se reciclar, se divertir, viver!
E, de repente não mais que de repente, o homem moderno percebe que a mulher amada envelheceu, ganhou rugas, perdeu o viço e se distanciou dele de uma maneira sutil e incontornável, apesar de ainda viver com ele.
Os filhos cresceram, já são adultos e trilham seus próprios caminhos e já não querem ser levados a passeios, mas querem ver no pai um parceiro para projetos futuros.
Os amigos mudaram tanto, mas tanto que ele quase não os reconhece.
Os livros permanecem na estante (aqueles que ele comprou e não leu) e há outros a comprar, mas cadê tempo pra ler?
Os filmes que ele perdeu já saíram de cartaz. Comprou alguns em DVD, mas não é a mesma coisa, falta o calor humano das salas de exibição.
E aí o homem moderno, que resolveu, finalmente, tirar férias para fazer um balanço, percebe que não vai recuperar o tempo perdido.
Sozinho no jardim de sua casa (os filhos saíram para trabalhar e a esposa está participando de um congresso sobre OVNIs) ele continua olhando para o céu onde as nuvens parecem ser sempre as mesmas, mas tomam formas surpreendentes a cada instante.
Ele pensa consigo mesmo que as nuvens sempre estarão lá. Como o céu, o sol, a lua e os demais astros.
Mas uma nuvem em particular chama sua atenção. Ela ficou estática durante certo tempo sobre sua cabeça. Até que de repente começou a se movimentar e a se transformar.
Nessa nuvem ele viu-se menino, adolescente, jovem e maduro, envolvido pelos raios do sol e por nuances de um azul que era mar e se dissolvia como por encanto transformando-se em seres que povoaram seu passado e se foram levados pelo tempo, como aquela nuvem que, num segundo se foi.
Era apenas uma nuvem?
O homem moderno levantou-se. E desta vez disposto a mudar seu destino. A transmudar-se como aquela nuvem. A viver!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A violência em sua forma mais cruel

Como não se trata de alguém famoso, o fato não tem tido a repercussão que deveria na grande imprensa. Mas o caso da menina de 15 anos que foi colocada numa cela comum com 20 marginais dá bem a medida de como a nossa infância é tratada.
Apenas 15 anos! E eu penso na minha filha com essa idade. Penso em mim mesmo e me revejo cheio de sonhos e fantasias, ainda muito longe dessa realidade de hoje, que supera a ficção e atinge as raias do absurdo.
Fico triste ao pensar num país que trata dessa maneira seu futuro. E mais ainda ao ver a defesa veeemente de parlamentares pelo aumento do aparelho repressivo e do investimento em armamento para defender a nossa nação.
Mas que nação seremos no futuro se tratamos dessa maneira nossas crianças?
Enquanto "autoridades" disputam o espólio da miséria e da ignomínia que representa esse caso dantesco, não paro de pensar na frase de Veríssimo: "É de 'esquerda' ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto 'direitistas' defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado."
Pobre menina. E pobre País que não consegue defender a sua infância.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O ministro que odiava o "psiu"...

Está ficando cada vez mais difícil escrever ficção no Brasil.Recém-nomeado para o Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta corte do nosso País, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito parece viver em outro país.Em março, quando ainda era do Superior Tribunal de Justiça (STJ) irritou-se com a atitude de um servidor do tribunal onde trabalhava e que teve a "ousadia" de usar o termo "psiu" para chamar a atenção do ministro. Irritado, Direito mandou abrir processo administrativo contra o funcionário.Testemunhas contam que o funcionário teria chamado o ministro diversas vezes pelo cargo seguido do último nome, mas foi ignorado. O servidor nega que tenha usado o termo "psiu".Certamente, Direito não ouve funk, não lê jornais e analisa com frieza os processos em que a "camarilha de sempre" lesa o interesse público desviando milhões de reais que se destinariam à Saúde, Educação e Transportes para a população mais carente.Parece que para o ministro a forma de tratamento é muito, mas muito mais importante que o conteúdo. E ele está no STF!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Por que não a Lei Eduardo Camargo?

O que poderia ser mais uma notícia sobre a violência que tomou de assalto a sociedade brasileira, chama a atenção pela frieza da assassina.
No último dia 31 de outubro, quarta-feira, a doméstica Simone Lourenço da Rocha, de 32 anos, esfaqueou o marido, Eduardo Camargo Gonçalves, de 30 anos, que foi socorrido no Posto de Saúde do Hospital Geral de Campo Limpo, em São Paulo, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.
Simone não fugiu. Na delegacia, alegou que apanhava do marido quando este bebia e que agiu em legítima defesa. Ela afirmou que não premeditou o crime e que só utilizou a faca porque temeu pela vida, já que o marido a ameaçara de outras vezes.
A violência doméstica, tanto da parte masculina quanto da feminina, vem crescendo em progressão geométrica, sem que a sociedade dê mais atenção ao assunto. Preocupados com a guerra urbana que tomou conta de cidades inteiras, prefeitos, governadores e o governo federal não se deram conta de que em grande parte dos casos, o inimigo (ou agressor) está ao nosso lado, na nossa casa, na nossa cama.
Seria o caso de se criar a Lei Eduardo Camargo?
Este humilde escriba sugere bom senso, humanidade e a retomada de sentimentos como compaixão, amor e solidariedade. Viver uma vida sem sentido dá nisso. Que valor tem a vida para quem fez da sua própria vida um calvário?

O guardião do espaço...

O guardião do espaço...
No meu local de trabalho num dos raros momentos de calmaria. O clik é do companheiro Claudionor Santana

Quem sou eu

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Jornalista e escritor, com passagens por jornais como Última Hora, Jornal do Commercio, O Dia e O Globo, atualmente sou Assessor de Comunicação do Sintergia (Sindicato que representa os trabalhadores do Setor Elétrico do Rio de Janeiro).