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terça-feira, 13 de abril de 2021
Fascistização e militarização no governo Bolsonaro - CartaCapital
Fascistização e militarização no governo Bolsonaro - CartaCapital: Processo combina o regime autoritário com a difusão de valores conservadores com raízes em mentalidade colonial
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
A ditadura midiática apoiada pelo STF e o Congresso
Foram anos de luta até conquistarmos a Constituição de 1988 e com ela a volta das eleições diretas e o direito sagrado do povo escolher seus representantes.
Mesmo assim, tivemos que engolir a eleição indireta de Tancredo e, pior, a sua substituição por José Sarney, que ao negociar com o Congresso de então a extensão de seu mandato por mais um ano, traçou o mapa das comunicações no Brasil, "doando" ao PMDB a primazia de rádios e TVs por todo o Brasil, o que explica que este partido mantenha por anos a maior bancada do Congresso.
Mas o trato de "compadres" foi mantido até que Lula foi eleito e com ele a idéia fixa de erradicar a fome em nosso país e tirar mais de 30 milhões da linha abaixo da pobreza, em outros termos, da miséria.
A partir daí, os ex-senhores de escravos, latifundiários e empresários das benesses estatais começaram a tramar uma maneira de tirar Lula do Poder e, com a eleição e reeleição de Dilma Roussef, de ferir o PT de morte, impedindo, a qualquer preço, uma possível volta de Lula ao Poder.
Apesar da resistência da sociedade, que com atos, passeatas, ocupação de escolas e ação pelas redes sociais, a mídia, o Congresso e até o STF se aliaram contra o povo e estão impondo uma ditadura que já ultrapassou as mentiras de jornais, rádios e TVs até chegar à truculência contra alunos que lutam por uma Educação de qualidade enquanto Eduardo Cunha foi conduzido "carinhosamente" pela polícia.
Somos um País ávido por crescimento, enquanto aquela "coisa" com a faixa presidencial trama o congelamento dos investimento em Educação e Saúde pelos próximos 20 anos. E esse "coisa" fala sério, julga-se um estadista e arrasta o país à galhofa mundial, precedido por José Serra, que não se cansa de expor o País ao escárnio por onde passa.
Em pouco tempo no Planalto, esse "coisa" com seu ministério formado por um monte de gente com contas a ajustar na Justiça fizeram o País retroceder décadas e o povo, mais uma vez, vai pagar a conta, por atos de um bando de desajustados que estão entregando o País para os EUA, traindo a Pátria e seus compatriotas.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
É matar ou morrer
Por Alberto Dines
O brasileiro acordou num país mais azul, sem zonas vermelhas, que ecoa até hoje o silêncio do povo nas urnas , a maior abstenção desde 1996. Um país que se reinventa sob uma nova direção que só promete espinhos na reformulação econômica. Nem dá para chiar porque o inverso seria o caos.
É matar ou morrer , aguentar ou correr, adaptar ou berrar no vazio . Acordamos noutro Brasil , este país varreu a mão que embalava o berço , só que em direção ao precipício. Ganhou punhos de ferro como alternativa e só pode apostar que em quatro, cinco anos , a estratégia vai dar certo. Nada explica a rejeição de 65% de Temer pelos brasileiros , já que o contrário levaria ao padrão falido da economia venezuelana. E Temer diz que nem liga para índices de popularidade porque, segundo ele , não é candidato a reeleição. Está mais preocupado em passar no plenário a PEC que limita os gastos públicos nos próximos 20 anos.
João Doria vai encolher as ciclovias de Fernando Haddad sobre as calçadas de São Paulo, e privatizar alguns símbolos da cidade, o estádio do Pacaembu, o autódromo de Interlagos e o sambódromo junto com o Parque do Anhembi. Garante que vai arrecadar R$ 7 bilhões a serem encaminhados para Saúde e Educação. Já lançou o presidente do PSDB para 2018, o governador Geraldo Alckmin, seu padrinho. Como dizia o slogan de sua campanha, o João é trabalhador e quer repetir a façanha do prefeito milionário que governou Nova York entre 2002 e 2013, Michael Bloomberg. A torcer para dar certo na vida real as promessas feitas por quem fez a carreira na TV apresentando um “reality show”.
O PSDB elegeu 46% dos seus candidatos a prefeito , sinal de que o banco traseiro ocupado pelo PT e o PMDB vai ficar quase vazio. A cúpula dissidente do PSDB foi a que mais cresceu num partido rachado e tenta se reunificar. Enquanto Alckmin quer aumentar sua influência , o presidente do partido Aécio Neves – que viu sua carreira presidencial ameaçada com a ascensão do recém-chegado João trabalhador – admite o racha , dilui o efeito Doria e tenta passar a impressão de que o mérito da guinada foi dele.
Fica clara a falácia dos partidos, a desconfiança aos políticos, a revolta surda da população que permanecerá apática nas próximas semanas à espera do que está por vir .
A incógnita carioca
Agora os olhos se voltam para a disputa dos Marcelos no Rio, Crivella e Freixo. Sem paciência para ideologias como aconteceu em São Paulo – onde até a periferia castigou a esquerda e elegeu o que a cidade chama de ” mauricinho” contra o descontraído Haddad – o brasileiro aguarda o segundo turno das eleições no Rio de Janeiro, no próximo dia 30. O economista carioca Sergio Besserman tem razão quando diz que Doria nunca seria eleito no Rio de Janeiro que é o avesso de São Paulo, detesta formalidades e as griffes do prefeito paulista eleito.
Mas qual será a cara do Rio com o novo prefeito?
O Rio , se o PSOL de Freixo vencer, pode ser uma saída para a minguada esquerda brasileira depois do duelo com o partido da Igreja Universal do Reino de Deus. Sem perder tempo , Freixo se aproxima dos líderes religiosos.
Será um segundo round animado, já que ambos buscam neste meio tempo apoios contra e a favor do Planalto . As esperanças estão depositadas nos votos cariocas da centro-direita, laica ou não. Freixo, que com minguados 11 segundos de TV derrotou o PMDB de Eduardo Paes, Pezão e Sergio Cabral, pode dar um ao PT embora o PSOL não se equipare ao partido de Lula. Agora Freixo terá 20 minutos no ar.
Freixo foi afetado em cheio pela decisão do TSF garantindo que condenados em segunda instância podem ir para a cadeia , o que torna Lula preso em potencial pelo Lava Jato, além de investigado em outros três processos. A decisão arrasta parte do poder do governo Lula-Dilma. O resultado veio rápido. Apareceu na última pesquisa DataFolha, Crivella na frente com 44% dos votos, contra 27% de Freixo, que vai cair de boca nos 18% de votos nulos e brancos, e nos 10% de eleitores que não responderam. Dá para perceber que o Rio segue a norma eleitoral, no primeiro turno o eleitor escolhe, no segundo, rejeita. Agora depende dos votos dos conservadores contra os não conservadores.
Enquanto caçam os votos úteis -e os inúteis, anulados – Crivella finge se descolar da Igreja do bispo Macedo e de Garotinho , e ameaça dar ao Rio o governo da vitória da religião num evidente vale tudo da desacreditada política nacional.
Giro à direita no Brasil. Por quanto tempo?
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:
O prefeito eleito do Rio, Marcelo Crivella, resumiu sua vitória como um sonoro “não” da cidade tida como mais progressista do Brasil às bandeiras do aborto, da legalização das drogas e do ensino sobre diversidade sexual nas escolas. Ele de fato as combateu, mas não foram estas as bandeiras centrais de seu adversário Marcelo Freixo, do PSOL, no segundo turno. O que sua vitória simboliza é a conclusão da guinada do Brasil à direita, num giro sem precedentes depois da redemocratização, e que no primeiro turno teve na vitória de João Dória em São Paulo seu sinal mais eloquente. Não só dos caminhos que a esquerda seguir para se recuperar do tombo dependerá a duração deste ciclo, em que o Brasil será um país bem diferente. A partir de janeiro a direita estará governando o país e a maioria dos municípios, e de seus resultados dependerá a duração deste ciclo.
A vitória de Crivella é ainda mais expressiva do giro conservador porque não expressa apenas a força de uma direita ideológica, amiga do mercado e hostil ao Estado, chegada a privatizações e à ortodoxia fiscal. Crivella é a expressão da força crescente das religiões evangélicas para além dos templos. É expressão do conservantismo moral que demoniza a diversidade do comportamento humano em diferentes aspectos, estigmatizando como pecadores e aliados do capeta os que não comungam de seus mandamentos. “Chora capeta”, foi como o pastor Silas Malafaia festejou a vitória de Crivella. Capeta são todos os outros, todos os derrotados, e especialmente, nas palavras dele, os “esquerdopatas”.
A Igreja Universal controla a segunda maior rede de televisão e as outras ramificações dominam quase todos os canais abertos a partir de certa hora da noite. É só zapear e lá estão os pastores das seitas que alugam horários nas outras emissoras para suas pregações. Fortalecida pela vitória de Crivella, a direita moralista retomará os projetos que vinha tocando no Congresso, que incluem o fim da autorização do aborto em casos excepcionais, a rejeição de medidas contra a homofobia e de propostas de políticas alternativas sobre drogas. E ainda o avanço do projeto “escola sem partido”, que já teve uma primeira acolhida na reforma do segundo grau do governo Temer, ao tornar opcionais matérias que levam à formação crítica dos alunos, como filosofia e sociologia.
Mas a direita, assim como a esquerda, tem matizes diversos e todas eles colorem o novo mapa ideológico do Brasil. No segundo turno, para ficar só em capitais importantes, ela venceu em Porto Alegre com Marchezan Júnior, filho de um líder do PDS na ditadura militar; com um “out sider” adepto da antipolítica em Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PHS; com a eleição em Curitiba de Rafael Greca, aquele que declarou tem tido vômitos após carregar um pobre em seu carro. No primeiro turno, além da vitória de Doria na capital paulista, o mais votado foi ACM Neto em Salvador.
Onde foi que isso começou? Foi com a destruição moral do PT pela Lava Jato ou pela crise econômica que, originária do final do boom das commodities, foi inteiramente debitada a erros de gestão do governo Dilma? Ou foram as duas coisas? Se apenas o PT tivesse sido surrado nas urnas como foi, o eleitorado estaria apenas usando o voto como castigo contra quem considera culpado. Mas toda a esquerda saiu derrotada, inclusive sua maior promessa neste pleito, Marcelo Freixo no Rio. A Rede mostrou que a nada veio, o PDT cresceu um pouquinho, o PCdoB foi castigado por sua aliança histórica com o PT. O PSB já atravessou o rubicão.
O vento da direita não é apenas brasileiro, é continental, se não global. Ele sopra em toda a vizinhança onde os governos de centro-esquerda, no tempo das vacas gordas, acharam que bastava garantir o consumo e a renda para fidelizar o apoio das classes populares. Não ousou fazer reformas no sistema político e tributário, não ousou regular a mídia (exceto na Argentina) nem disciplinar os capitais nômades. E, sobretudo, desprezou a necessidade de educar politicamente o povo, que na primeira adversidade lhes voltou as costas.
Quanto tempo vai durar? Vai depender de como o PT conseguirá se reinventar, de como ele e os outros partidos de esquerda vão se relacionar com vistas ao futuro. Está claro que sem alguma unidade será mais difícil vencer o cerco. Mas a duração do retrocesso dependerá, sobretudo, de quais serão os impactos destas administrações conservadoras sobre a vida real dos brasileiros. No governo do pais, está cada dia mais claro que a gestão Temer trará sacrifícios e não bonança. A dureza não será passageira, está prometida para 20 anos. O congelamento do gasto público diz que ninguém deve esperar do governo federal “bondades” como as dos governos petistas, que teriam custado caro. Mas as prefeituras estão bem mais perto dos cidadãos, que a elas se apegam mais na solução dos problemas imediatos. Estão todas falidas e esperando algum socorro do governo federal, que não virá. Até onde a vista alcança, serão administrações de poucos resultados ou então serão irresponsáveis, o que levará a um descalabro ainda maior.
É sobre estes resultados, e avaliando corretamente as razões da derrota, que a esquerda deve se preparar para o novo tempo.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Cariocas não querem nem Freixo nem Crivella
Abstenções, nulos e brancos decidiram eleições no Rio...
Somados, votos em branco, nulos e abstenções atingiram 2.034.352 sendo decisivos para o resultado final. Segundo turno é aquela velha, cansativa e infeliz história. Nem os votos atingidos pelo protegido do inominável Edir Macedo, nem os votos recebidos por Freixo são reais. Crivella se aliou ao que há de pior na política do Rio e contou com a pressão psicofundamentalista dos pastores para vencer. Já os votos do candidato do Psol vieram daqueles que repudiam o outro candidato. Quem perdeu nessa história toda foi o Rio de Janeiro. O "vencedor", definitivamente, não tem a cara do Rio e espero não assistir ao aumento geométrico dos templos da IURD em detrimento das escolas já tão abandonadas na cidade.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
A triste sina do Rio de Janeiro
A garotada até 18 anos pode não acreditar, mas o Rio de Janeiro já foi a "Capital Cultural" do País. Ah! O Rio já foi, também, a capital da República, abrigando senadores, deputados federais e o presidente da dita cuja. Desde 1960, quando a capital foi transferida para Brasília, o Rio entrou em decadência e só tem a cantar em prosas e versos suas belezas naturais. No mais, é lamentar o empobrecimento cultural da nossa população com as greves anuais do magistério (que em média duram seis meses), a dilapidação do patrimônio público (exemplos são a derrubada do Palácio Monroe e as consecutivas reformas do Maracanã, ambas com o dinheiro da população empobrecida), a escalada cada vez maior da violência diante de governantes ou incompetentes ou comprometidos até o pescoço com a mesma. Em 2016, estamos sendo submetidos a um segundo turno para escolha do prefeito em que o que predomina é a baixaria e o "tudo pelo poder". Nenhum dos dois candidatos tem proposta pra nada. A cada dia o nível das baixarias aumenta, com acusações que beiram o desvario e desiludem quem ainda acredita no papel da política como representante da população. Mais uma vez vou pras urnas com a opção entre o impensável e o menos ruim. É barra ser eleitor no Rio de Janeiro.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Pesquisa recupera memória de jornalista negro e líder sindical
Diante das novas relações de trabalho que se estabeleceram após a abolição da escravatura (1888), surgiram mecanismos de organização, nos quais operários de fábricas e de oficinas passaram a se aglutinar, visando a prestar ajuda mútua aos associados em diversas situações, como doenças, prisões e morte. Nos primeiros anos da Primeira República (1889-1930), o operariado brasileiro vivenciava uma dura realidade, em sua rotina de trabalho, a exemplo de jornadas exaustivas, locais insalubres, crianças e mulheres exploradas nas fábricas. Dentro deste contexto, despontou uma militância sindical com importantes lideranças, lutando pela construção de uma sociedade mais justa e com menos desigualdades.
É nesse período de ebulição de ideias e de contestação, sob a bandeira dos ideários anarquistas e socialistas, que desponta, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a notável figura do mulato Francisco Xavier da Costa (187? -1934). Nascido na capital gaúcha, na Colônia Africana, era filho do baiano José Pereira da Costa e da gaúcha Carolina dos Reis Costa, destacando-se em sua trajetória como gráfico, jornalista e militante socialista. As ideias marxistas foram introduzidas, no meio operário, devido à sua atuação.
No importante jornal socialista A Democracia, fundado por ele em 1905, na edição de 20 de agosto de 1905, p.1, este líder operário registrou:franciscoxavier-dacosta democrcia
“Filho de pai operário e de mãe pobre como ele, quando compreendi isto tornei-me nobremente orgulhoso.” Ainda em seu jornal, na mesma data, p.p. 1-2, ele escreveu: (…) “Sou um pobre operário e acentuo ainda uma vez, orgulhoso disto: sou um simples trabalhador que convencido de que se cabem deveres ao proletariado cabem-lhe, igualmente, direitos e tais direitos são sonegados – luta por todos os meios ao seu alcance, com pena e com a palavra impressa e na tribuna, contra a iníqua usurpação do poderoso capitalismo e contra as legiões de outros exploradores que engordam à custa do sacrossanto suor dos pobres que de fato trabalham.”
Em sua pesquisa documental, diante de desencontros de datas quanto ao nascimento de Francisco Xavier da Costa, o historiador Benito Bisso Schmidt, em sua tese “O Patriarca e o Tribuno: caminhos, encruzilhadas, viagens e pontes de dois líderes socialistas – Francisco Xavier da Costa (187?-1934) e Carlos Cavaco (1878-1961)”, defendida, em 2002, na Unicamp, registra na p.37: “Esta história começa em Porto Alegre no dia três de dezembro de um incerto ano da década de 1870. No seio de uma ‘família muito unida’, nasceu Francisco. A expressão ‘família muito unida’ é creditada a Anita Xavier da Costa – filha de Francisco Xavier da Costa – durante a entrevista que se realizou no período de sua pesquisa. No caso da carteira de identidade, de 27 de abril de 1917, e no título de eleitor, de 14 de fevereiro de 1922 e de 4 de abril de 1933, a ‘cútis’ do líder operário é definida como ‘parda’ e o ano de seu nascimento é registrado como 1873.”
Infância e militância
Quanto à infância de Francisco Xavier da Costa, sabe-se muito pouco. Ao ficar órfão de pai, os problemas financeiros o levaram a buscar um trabalho para ajudar no sustento da família. Aos 11 anos, empregou-se na Oficina Litográfica de Emílio Wiedmann e Domingos Cândido Siqueira na condição de ajudante de tipógrafo. Após cinco anos, ele ascendeu ao cargo de perito oficial gravador. De acordo com o pesquisador e jornalista gaúcho João Batista Marçal, da cidade de Quaraí, o contato com imigrantes alemães e a assimilação do idioma teuto assumiriam um papel importante na vida de Francisco Xavier da Costa, tanto no aspecto profissional quanto em sua vida pessoal.
Diante do trabalho conquistado, com muito esforço, ainda tão menino, Francisco Xavier da Costa abandonou seus estudos nos Colégios Cabral e VillaNova. Há indicação de que teve aulas noturnas com o professor Inácio Montanha, tendo então adquirido o cabedal de conhecimentos que atesta a qualidade da sua produção textual em periódicos da época.
A partir da última década do século 19, ele se inseriu no incipiente movimento operário gaúcho, tornando-se o porta-voz das ideias socialistas na capital. Dominando o idioma alemão, foi o introdutor das ideias marxistas entre os operários de Porto Alegre. Em sua atuação política, participou da fundação de partidos operários e de associações profissionais e organizou congressos de operários, além de liderar greves. Francisco Xavier da Costa defendia a formação de partidos operários que elegessem seus representantes no embrião da própria classe de trabalhadores, priorizando a emancipação do proletariado e a luta por melhores condições de vida.
Em 1892, ocorreu pela primeira vez no Brasil o ato de Primeiro de Maio, “Dia do Trabalho”, reunindo a massa operária na Praça da Alfândega em Porto Alegre, direcionado por anarquistas. Em 1894, fundou-se, em Porto Alegre, o Grupo dos Homens Livres, que congregou anarquistas, sendo grande parte de origem italiana.
Fundado em 1º de maio de 1897 por Francisco Xavier da Costa, o Partido Socialista Rio-Grandense tem suas raízes no processo de formação da classe trabalhadora gaúcha. No ano de 1898, organizou o 1º Congresso Operário do Rio Grande do Sul. No dia 5 de fevereiro de 1898, na Capela São Manoel, em Porto Alegre, é celebrado o casamento da austríaca Leopoldina Schacherslehner e Francisco Xavier da Costa e desta união nasceram seis filhos.
Em 1º de maio de 1905, começou a circular, sob a responsabilidade do líder socialista Francisco Xavier da Costa, o jornal A Democracia e o partido passou a ser denominado de Partido Operário Rio-grandense, cujo lema era “Para que o operário seja independente, deve conquistar todo o produto de seu trabalho”.
As lideranças e a imprensa
No ano seguinte, em 1º outubro de 1906, ocorreu a primeira greve geral no Rio Grande do Sul, conhecida como a “greve dos 21 dias”, que reivindicava, entre outras coisas, oito horas de trabalho e contou com a participação de mais de 5.000 operários. O intendente municipal (prefeito), nesse período, era o engenheiro José Montaury (1858-1939) e o presidente do estado era o advogado Antônio Augusto Borges de Medeiros (1863-1961). A greve iniciou com a categoria dos marmoristas, cuja liderança era anarquista. Neste contexto, destacou-se outro nome, cujo “verbo de fogo” incendiou a classe trabalhadora. Trata-se de um dos grandes tribunos da luta operária no Rio Grande do Sul: Carlos Cavaco (1878-1961).
Francisco Xavier da Costa e Carlos Cavaco convocam reuniões nas quais se discutem a fundação da Federação Operária do Rio Grande do Sul (FORGS). Esta, na opinião do líder anarquista Polydoro dos Santos (1881-1924), participou da “greve dos 21 dias” apenas como elemento decorativo.
Quanto às lideranças, os anarquistas tinham na figura de Polydoro dos Santos um importante líder, defendendo a neutralidade e a independência política dos sindicatos divergindo dos líderes socialistas Francisco Xavier da Costa e Carlos Cavaco. A polêmica se dava por meio do jornal A Luta, fundado em 1906 pelo líder anarquista e pelo gráfico José Rey Gil. Este último havia rompido com os socialistas. A Luta foi um periódico que travou grandes polêmicas com a social-democracia e seus principais veículos: A Democracia (1905-1908), dirigida por Francisco Xavier da Costa e Carlos Cavaco, e O Avante que começou a circular em 1901. Apesar do confronto ideológico, ambas as correntes combatiam as más condições de trabalho, a excessiva carga horária do operário, os baixos salários e os maus tratos sofridos pelos trabalhadores. De acordo com Isabel Bilhão, “ (…) pacto de fidelidade à causa da greve que envolve a todos que dela participam, não interessando se a liderança é anarquista, socialista, sindicalista, interessa sim que, tendo assumido compromisso com a classe, dela não se afaste, sob pena de ser considerado traidor” (BILHÃO, 1999, p. 58).
Durante a greve o policiamento foi ostensivo e os piquetes tentavam impedir os chamados “fura-greves”. No dia 9 de outubro, trabalhadores se pronunciaram contrários à proposta da classe patronal de 9h diárias e decidiram que a greve seria mantida. Seguiram-se várias prisões… A classe patronal não se manteve coesa e alguns cederam frente à força dos operários. Não ocorreu consenso sobre os rumos da greve no movimento operário. A greve terminou oficialmente no dia 21 do mesmo mês. Os anarquistas acusavam os socialistas por terem influenciado no encerramento da greve sem que as reivindicações fossem atendidas. Os anarquistas, por meio do jornal A Luta, também, denunciavam que, ao contrário do que o Jornal do Comércio (1865-1911) divulgava, havia perseguições contra os grevistas quando retornavam ao trabalho. A categoria dos marmoristas continuou em greve até a vitória das 8 horas.
Na visão do líder Francisco Xavier da Costa, o importante era manter as conquistas alcançadas pelo movimento, como a redução de 10 a 12 horas de trabalho para 9 horas, e o aumento de salário para algumas categorias.
No dia 21 de outubro de 1906, o Jornal do Comércio (1864-1911), de Porto Alegre, comenta o final da greve com a seguinte nota: “Vendo que infrutíferos eram seus esforços no sentido de conseguirem as 8 horas, o operariado em boletim ontem profusamente distribuído tornou público que amanhã [ 22/10] voltaria ao trabalho. Dizendo-se socialista, o autor do já citado manifesto recomenda às comissões ‘que procurem manter os companheiros que se acham sob sua influência, a fim de que eles estejam sempre prontos para outro provável movimento de classe’.”
O jornalista Francisco Xavier da Costa
No ano de 1907, Francisco Xavier da Costa foi chamado de analfabeto por Octávio Rocha (1877-1928), então diretor do jornal A Federação (1884-1937), que era o órgão oficial do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR). Diante de atitude tão deselegante, o líder operário, em seu jornal A Democracia (1905-1908), de 20 de agosto de 1907, p.1, pronunciou-se: “Doutor! A quem é analfabeto não confiam a redação de um órgão tão importante [o jornal A Democracia] nem tampouco os colegas da imprensa fazem francos elogios, como fizeram a mim, apesar de ser eu apenas humilde operário. E o Doutor, que é tão erudito, mereceu elogios assim, alguma vez?”
No ano de 1895, O jornalista Francisco Xavier da Costa se tornou colaborador no jornal socialista Gazetinha (1891-1900). Seu diretor Octaviano de Oliveira, por criticar de forma contundente o governo positivista de Julio Prates de Castilhos (1860-1903) foi espancado, optando por encerrar a circulação do periódico. No ano de 1900, não assumindo sua posição de esquerda, ele lançou o jornal O Independente (1900-1923). No importante jornal A Democracia, editado entre 1905-1908, Francisco Xavier da Costa ratificou sua liderança política, despontando como representante da classe operária no estado, quando assumiu a liderança nas negociações com o presidente do estado, Antônio Augusto Borges de Medeiros (1863-1961), durante o movimento grevista de 1906. Ainda naquele ano, surgiu o Clube da Imprensa Operária onde Francisco Xavier da Costa exerceu o cargo de 1º secretário. Este Clube contribuiu para o fortalecimento e legitimação da imprensa operária. O líder operário Francisco Xavier da Costa atuou também nos jornais O Avante, fundado em 1901, Echo do Povo (1908-1914) e Gazeta do Povo (1915-1923). Nesse período, a disputa pela liderança do movimento operário, entre anarquistas e socialistas, estava presente nas páginas dos periódicos. Alguns importantes periódicos, como A Democracia, fazem parte da hemeroteca do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, que tem como missão guardar, preservar e difundir a memória da comunicação no Rio Grande do Sul. Neste ano de 2016, no dia 10 de setembro, esta importante instituição completará 42 anos de importantes serviços prestados junto à comunidade cultural do nosso estado.
A presença de periódicos operários, em arquivos da Europa, representa o que o pesquisador e jornalista João Batista Marçal chama de “visão conservacionista”: “Os anarquistas, que foram pioneiros na organização do movimento operário no sul do Brasil e que em sua grande maioria eram oriundos de países europeus como Espanha e Itália, tinham isso como hábito: qualquer publicação que fosse feita aqui tinha um exemplar enviado para a Europa.”
A adesão ao Partido Republicano Rio-Grandense
Os conflitos e trocas de acusações constantes com as lideranças libertárias da Federação Operária do Rio Grande do Sul (FORGS) fizeram com que Francisco Xavier da Costa se afastasse do maior órgão representativo do operariado rio-grandense.
Em torno de 1911, a figura de Xavier da Costa passou a ser vinculada ao Partido Republicano Rio-grandense (PRR), que trazia em seu programa, de acordo com positivismo científico, inspirado em Augusto Comte (1798-1857), a inclusão da classe operária conforme o dístico “Ordem e Progresso”. A Constituição Estadual de 1891, de inspiração positivista, trazia vários artigos acerca da regulamentação do trabalho e garantias dos direitos do cidadão e da ordem (PETERSEN, 2001). No ano de 1912, Francisco Xavier da Costa fez parte da nominata dos candidatos oficiais do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) ao Conselho Municipal de Porto Alegre, tendo sido o primeiro negro eleito para a essa função legislativa. O cargo era uma espécie de vereador à época e Francisco Xavier da Costa obteve 4.337 votos.
A eleição de Francisco Xavier da Costa como conselheiro municipal de Porto Alegre, pelo Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), resultou em críticas nos jornais da imprensa operária de Porto Alegre, principalmente por parte das correntes anarquistas da Federação Operária do Rio Grande do Sul (FORGS). Reeleito, em 1916, conquistou 6.032 votos. Após dois quatriênios distante das atividades do Legislativo de Porto Alegre, é novamente eleito em 1928, atingindo 7.421 votos.
Durante as greves de 1917 e 1918, o presidente do estado atuou de forma decisiva, tomando medidas objetivas e as colocando em prática. Conforme mensagem enviada à Alergs, Antônio Augusto Borges de Medeiros, no 20 de setembro de 1917, declarou: “Por ocasião da greve nesta capital verifiquei a necessidade imediata de suspender a exportação do trigo e fiscalizar as exportações e o consumo de outros gêneros alimentícios de modo a ficar habilitado a prover com segurança sempre que for mister. A par dessas medidas, aumentei os salários dos proletários ao serviço do Estado e por uma ação harmônica e solidária com o governo municipal e com o comércio e indústrias, nesse e noutros pontos, restabeleceu-se a tranquilidade geral e uma satisfatória situação para as classes trabalhadoras.”
No jornal O Inflexível, de 1918, fundado por Francisco Xavier da Costa, ele acrescentou o subtítulo “Diário Republicano”, demonstrando, assim, a sua sintonia política à orientação partidária dos republicanos no Rio Grande do Sul.
Com destacada atuação no campo político e profissional, ele trabalhou como litógrafo na famosa Livraria do Globo até os últimos dias de sua existência. Considerado um homem de caráter exemplar, Francisco Xavier da Costa, ao falecer, no dia 11 de maio de 1934, deixou a sua esposa Leopoldina e quatro filhas: Emilia Carlota, Amanda Olícia, Francisca Leopoldina e Anita; e dois varões: Carlos Silvio e Miguel Francisco. A trajetória de Francisco Xavier da Costa foi pontuada pela dedicação e amor ao trabalho e intensa militância política pela causa operária. Francisco Xavier da Costa é nome de uma rua, no Bairro Ipanema, na zona sul de Porto Alegre.
Memória recuperada
O historiador Benito Bisso Schmidt, ao construir a biografia de Francisco Xavier Ferreira durante a elaboração de sua tese, já citada no texto, contou com a colaboração da filha do biografado – Anita Xavier da Costa – que narrou fatos importantíssimos durante entrevista realizada pelo historiador. Preocupada com a perpetuação da memória de seu pai, Anita doou importantes documentos, como afirmou o historiador: “Depois, temendo não encontrar herdeiros para essa memória, doou-me fotografias, jornais, papéis e objetos de seu pai, um verdadeiro relicário de lembranças e afetos.”
Consciente do valioso material, o historiador passou a guarda e a preservação deste tesouro para o Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho, onde recebeu tratamento arquivístico e museológico, da melhor qualidade, graças a um grupo de funcionários abnegados, competentes e qualificados no exercício de suas funções.
Atualmente, este precioso material está disponibilizado a todos que queiram mergulhar na história da vida desse afrodescendente que a historiografia oficial negligenciou, por muito tempo, em trazê-lo a público e graças ao excelente trabalho de pesquisa está memória permanece viva!
Por Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
A eterna luta contra a exploração humana
Fiscalização flagra exploração de trabalho escravo na confecção de roupas da Renner
Costureiros bolivianos viviam sob condições degradantes em alojamentos, cumpriam jornadas exaustivas e estavam submetidos à servidão por dívida em oficina terceirizada na periferia de São Paulo (SP)
Por Igor Ojeda | Categoria(s): Notícias, Reportagens
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São Paulo - A Renner, rede varejista de roupas presente em todo o Brasil, foi responsabilizada por autoridades trabalhistas pela exploração de 37 costureiros bolivianos em regime de escravidão contemporânea em uma oficina de costura terceirizada localizada na periferia de São Paulo (SP).
Os trabalhadores viviam sob condições degradantes em alojamentos, cumpriam jornadas exaustivas e parte deles estava submetida à servidão por dívida. Tais condições constam no artigo 149 do Código Penal Brasileiro como suficientes – mesmo que isoladas – para se configurar o crime de utilização de trabalho escravo.
Ver matéria completa em http://t.co/oK6QPAoBaK
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Por que a mídia teme Dilma?
Por Theófilo Rodrigues*
Compreensível o temor expresso em editoriais, matérias, colunas e programas de rádio e televisão de determinada empresa de comunicação com relação a possibilidade de reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Estranho seria se assim não fosse.
Para entendermos melhor o que está ocorrendo nesse exato momento precisamos dar um passo atrás e voltar nossos olhos um pouco mais para o sul do continente, mais precisamente para a Argentina.
Praticamente nenhum jornal brasileiro noticiou, mas na semana passada a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca) da Argentina decidiu que será o próprio governo quem definirá a forma como o Grupo Clarín – empresa que detém o monopólio da comunicação no país – será dividido. Explico.
Em 2009, o Congresso argentino aprovou a sua já famosa Lei de Meios. De acordo com a Lei de Meios um mesmo operador não pode deter licenças de rádio, TV e cabo. Ainda de acordo com a Lei de Meios nenhuma empresa pode ser proprietária de mais do que 24 licenças – o Grupo Clarín possuía mais de 200 licenças. Após uma batalha judicial que durou anos a Suprema Corte Argentina finalmente decidiu em fins de 2013 que o Grupo Clarin deveria respeitar a lei e apresentar um cronograma de divisão da empresa. Como a proposta que o Clarín apresentou de divisão entre seus sócios foi uma clara forma de burlar a lei, a justiça argentina decidiu na semana passada que a divisão da empresa será feita pela Afsca. Ou seja, o monopólio chegou ao fim.
Mas o que isso tem a ver com o Brasil? Afinal de contas, em seu primeiro mandato na presidência da República a presidenta Dilma não esboçou nenhum gesto traduzido em política pública que possuísse alguma semelhança com o que vem ocorrendo na Argentina.
O problema – para a empresa que detém o monopólio no Brasil – é que Dilma parece ter mudado de opinião. O primeiro susto veio no debate entre candidatos presidenciais realizado pela Band em 26 de agosto quando Dilma anunciou com todas as letras que em caso de reeleição faria a “regulação econômica da mídia”.
O segundo susto veio exatamente um mês depois com a entrevista coletiva concedida aos blogueiros no Palácio do Planalto em 26 de setembro. Em resposta ao jornalista Altamiro Borges a presidenta reafirmou sua promessa de “regulação econômica da mídia” para o segundo mandato. Com a diferença de ter definido de forma mais clara o que entende por “regulação econômica da mídia”. Em suas palavras:
“Desde a Constituição de 1988, há um artigo, o 220, que diz que os meios sociais de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio. Em qualquer setor com concentração de propriedade, cabe a regulação. Primeiro porque há uma assimetria imensa entre o detentor do monopólio e o resto das pessoas. E eu acredito que a base dessa regulação é a econômica”.
O que Dilma define como “regulação econômica da mídia” é exatamente o mesmo que a Lei de Meios argentina propugna. Aliás, é o mesmo que já existe em países como os Estados Unidos, a França e o Reino Unido. Para não ter que recorrer contra a lei e a justiça em defesa de seu monopólio, a mídia privada brasileira quer matar o mal pela raiz. Para que ter uma presidenta que pode atentar contra seus interesses se pode ter um governante cuja trajetória em Minas Gerais já demonstrou ser a de um grande aliado?
*Theófilo Rodrigues é cientista político, coordenador do Barão de Itararé no Rio de Janeiro e colunista no blog O Cafezinho.
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Aécio Neves e o reino da fantasia
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:
Sete meses depois de fazer um editorial onde pedia a demissão de Guido Mantega, alegando que a medida ajudaria no crescimento da economia brasileira, até o jornal britânico Financial Times foi obrigado a reconhecer um fato relevante da campanha presidencial.
Levado para um confronto com Armínio Fraga, candidato a ministro da Fazenda na hipótese de Aécio Neves ganhar a presidência, Guido Mantega parecia condenado a um nocaute rápido, na semana passada. Aconteceu o contrário: Arminio é que foi embora atordoado.
O debate ocorreu no dia em que havia ocorrido uma superação - 0,25% - no teto da meta de inflação. Recém-anunciadas, estimativas de crescimento para 2014 chegavam a 0,3%. Apesar da paisagem desfavorável, Guido Mantega mostrou que a inflação de Dilma é menor que a de Lula que também foi menor que a de FHC. Fez uma defesa consistente dos bancos públicos e mostrou - com números - que desempenham um papel positivo no desenvolvimento do país. Falou de obras de infra estrutura e dos programas de habitação. Tinha dados e tinha argumentos, enfim.
Diante da inconveniência de admitir que o ministro da Fazenda tinha argumentos, e foi capaz de fazer sua defesa, o Financial Times avaliou que Armínio “decepcionou”.
O jornal explica que ministro-candidato é capaz de falar para empresários e homens de negócio mas observou que “Fraga e o PSDB precisam levar sua mensagem econômica para o brasileiro médio e desconstruir o senso comum de que aquilo que é bom para o mercado é ruim para a população e vice-versa.”
Demonstrando um espírito particularmente agressivo em relação a campanha brasileira, muito longe da linguagem suave de uma disputa civilizada, ainda mais num país distante e soberano, o Financial Times explica a importância estratégica de uma vitória de Aécio nas eleições de 26 de outubro: “Afinal de contas, não é um debate cordial: é uma guerra, a batalha final pelo controle do segundo maior mercado emergente, onde vivem 200 milhões de pessoas.”
Preste atenção nestas palavras do jornal que é um dos principais porta-vozes dos mercados financeiros: “guerra, batalha final, segundo mercado maior mercado emergente…”
É disso - realmente - que se trata.
O Financial Times atribui essa missão de guerra para Armínio, sem pudores nem rodeios, com o mesmo discurso arrogante que, no início do ano, queria derrubar Guido Mantega - como se acreditasse que Dilma Rousseff fosse uma Marina Silva e um editorial de Londres tivesse a força de quatro tuites de Silas Malafaia.
Mas fica a pergunta: por que Armínio Fraga decepcionou os ingleses?
Já li que ele é ruim de dar entrevistas. Pode ser. Mas isso pode melhorar com cursos de fonoaudiologia e mídia-training.
Uma dificuldade bem maior se encontra na substância, naquilo que o Financial Times definiu como “desconstruir o senso comum de que aquilo que é bom para o mercado é ruim para a população, e vice-versa.” (Eu acho uma descrição muito simplória do que está em debate em 2014. Faz tempo que o PT procura estabelecer relações amistosas e produtivas com o mercado. Mas foi assim que os ingleses colocaram a coisa).
Aécio, a quem não se irá atribuir falta de experiência no jogo retórico dos debates políticos, tem problemas sérios para ganhar discussões de política econômica, quando é preciso deixar o universo impressionista das generalidades e frases de efeito.
Vem daí, na verdade, a dificuldade da campanha do PSDB para “desconstruir o senso comum.”
Em sua última tentativa para encontrar um lastro compreensível nessa área, Aécio procurou colocar-se como herdeiro de outro personagem, Juscelino Kubistcheck. É espantoso.
Traduzindo para 2014 um debate da segunda metade da década de 1950, é fácil entender que o governo JK foi exatamente o oposto daquilo que Armínio Fraga defende e Aécio aprecia. A maior semelhança entre os dois é o fato de terem nascido em Minas Gerais. Como Dilma, aliás.
JK fez um governo desenvolvimentista, com forte presença do Estado na economia. Enquanto Aécio fala em se reaproximar dos mercados financeiros, Juscelino rompeu com o FMI. Fez isso quando este se tornou um entrave ao crescimento, cobrando uma política de corte de gastos e austeridade levaria ao desemprego e a recessão. Sabe por que?
Porque dizia que a inflação estava alta demais e era preciso cortar o crescimento.
Apesar de uma inflação anual média de 25%, que não era pequena, vamos combinar, JK foi terceiro presidente mais popular da história brasileira, só atrás de Lula e Getúlio Vargas. Imagine os editoriais, as denúncias.
Na campanha de 1960, Carlos Lacerda e a UDN forneceram as bandeiras de Janio Quadros: a luta contra a inflação e o combate a corrupção. Aquilo que hoje se fala sobre a Petrobrás se dizia da construção de Brasília. Depois do golpe de 64, o regime cassou JK e abriu um IPM para tentar que fosse preso.
Este é o problema: a imagem positiva que JK deixou junto a maioria dos brasileiros não combina com o texto político da campanha do PSDB, que foi inspirada pela cartilha dos inimigos de Juscelino.
Guru ideológico dos assessores econômicos de Aécio, no livro “Lanterna de Popa” o ex-ministro Roberto Campos usou contra JK as mesmas palavras que Aécio e seus aliados empregam contra Dilma e Lula.
Roberto Campos fala de “populismo” e “desenvolvimentismo” como se fossem doenças tropicais contagiosas. Referindo-se aos conflitos com o FMI, descreveu que “Kubistchek rompeu com o FMI, em 1959, porque os programas de austeridade interferiram em seus sonhos desenvolvimentistas. ”
Para Roberto Campos, “tanto o desenvolvimentismo como o populismo “acabaram se refugiando no ancoradouro emocional do nacionalismo radical.”
Assim fica difícil “desconstruir a ideia de que o que é bom para o mercado é ruim para o você e vice-versa,”concorda?
Assim também fica fácil entender por que Aécio se apresenta como candidato da mudança - mas não diz o que vai mudar, para que, em benefício de quem.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Mais do que merecido
LULA RECEBE HOMENAGEM POR COMBATE À POBREZA
Ex-presidente recebeu nesta quinta-feira a medalha "Knowledge Advancing Social Justice" (Conhecimento para o Avanço da Justiça Social), da Universidade Brandeis, dos Estados Unidos, como reconhecimento pelo seu trabalho para a redução da pobreza e o desenvolvimento do Brasil
O ex-presidente Lula foi homenageado nesta quinta-feira 29 com a medalha "Knowledge Advancing Social Justice" (Conhecimento para o Avanço da Justiça Social), da Universidade Brandeis, dos Estados Unidos, como reconhecimento pelo seu trabalho para a redução da pobreza e o desenvolvimento do Brasil.
Ele recebeu ontem a visita dos professores Laurence Simon, da Heller School for Social Policy and Management da Universidade Brandeis, Joan Dassin, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e Sérgio Mascarenhas, da Universidade de São Paulo.
Os acadêmicos vieram conversar com Lula e com o diretor do Instituto Lula para a Iniciativa África, Celso Marcondes, a respeito de parcerias entre o Instituto e a Heller School para compartilhar conhecimento em políticas públicas de inclusão social e combate à pobreza.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Sem multa do FGTS, demissões podem aumentar
O Congresso fechou acordo e estabeleceu um novo critério para a análise de vetos presidenciais, deixando para o próximo mês a votação do veto ao projeto que extingue multa de 10% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
O Congresso fechou acordo e estabeleceu um novo critério para a análise de vetos presidenciais, deixando para o próximo mês a votação do veto ao projeto que extingue multa de 10% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) do trabalhador paga por empregadores ao governo em caso de demissão sem justa causa.
Segundo líderes de bancada, os parlamentares acertaram que a cada mês serão incluídos na pauta os vetos que estiverem trancando a pauta. Segundo resolução aprovada em julho, vetos que não forem analisados pelo Congresso em 30 dias passam a trancar a pauta.
"Vai ser a cada mês. Na terceira terça-feira de cada mês, vai ter uma reunião do Congresso. Os vetos que entrarão serão aqueles que estarão trancando a pauta", explicou o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), após reunião entre os líderes das duas Casas e o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
O estabelecimento do critério agradou, inclusive, a líderes da oposição, que argumentaram que a nova fórmula anula a subjetividade na escolha dos vetos a serem votados. Até esta terça-feira, era prerrogativa do presidente do Congresso definir a pauta.
"Chegamos a um acordo de procedimento que é importantíssimo até para preservar o Congresso", disse a jornalistas o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP).
"Porque senão ficaria a critério do presidente do Congresso tirar ou não os vetos que trancam da pauta. Quando você cria um critério objetivo, o trancamento da pauta, ele só poderá pautar vetos que efetivamente estiverem trancando a pauta."
Dessa forma, ficará para o próximo mês a votação do veto ao projeto que acaba com a multa sobre o FGTS, assim como vetos à MP 610, que durante sua tramitação no Congresso foi modificada para prorrogar programa de incentivo aos exportadores, o Reintegra.
O Congresso deverá analisar nesta terça-feira vetos a projetos como o que estabelece limites para a atuação dos médicos, conhecido como Ato Médico, o que trata da divisão do Fundo de Participação dos Estados (FPE), e outro que elimina itens da desoneração tributária da cesta básica.
A possibilidade de derrubada do veto ao Ato Médico motivou, inclusive, uma manifestação no salão verde da Câmara dos Deputados, em frente à entrada do plenário. Na multidão, havia manifestantes contra e a favor dos vetos.
Os gritos e faixas se misturaram a outro protesto, dessa vez de bombeiros que reivindicavam a votação em segundo turno pelos deputados da PEC 300, proposta de emenda à Constituição que cria um piso salarial nacional para policiais e bombeiros.
Os manifestantes que pediam a votação da PEC chegaram a invadir o plenário da Câmara, provocando irritação do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que pediu "respeito" aos manifestantes que, em resposta, cantaram o hino nacional.
Sobre o veto à polêmica repartição de recursos do FPE, que corre o risco de ser derrubado, Chinaglia alertou que pode haver judicialização.
Ao justificar o veto à proposta, o governo argumentou que o texto aprovado pelo Congresso é inconstitucional e contraria o interesse público.
A luta contra as terceirizações
Escrito por: Iracema Corso/CUT-SE
Centrais sindicais e movimentos sociais no Estado de Sergipe se articulam para a realização de novo ato público na manhã desta sexta-feira, 23, para barrar o PL 4330 que regulamenta as terceirizações no Brasil, permitindo uma crescente exploração do trabalhador e perda dos direitos trabalhistas já conquistados.
Desta vez a manifestação realizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-SE), CSP/Conlutas, CTB, Força Sindical, UGT, CGTB, Levante Popular da Juventude, Marcha Mundial das Mulheres, MST, ANEL, União da Juventude socialista (UJS), Movimento Não Pago e Movimento Meu Papagaio. A mobilização será no Calçadão da João Pessoa, em frente à Caixa Econômica Federal, a partir das 14h.
VOTAÇÃO ADIADA
Por falta de consenso sobre a proposta além da ampla mobilização nacional, a votação do Projeto de Lei 4330 foi novamente adiada, desta vez para o mês de setembro.
Durante o mês de julho, não houve nenhum avanço nas reuniões da comissão de trabalhadores, empresários e políticos num esforço de melhorar o PL 4330 para que o Projeto de Lei não permitisse a ampliação da exploração de trabalhadores e a flexibilização dos direitos trabalhistas conquistados. Mas representantes de empresários e parlamentares não aceitaram nenhuma mudança favorável aos trabalhadores, e o texto do PL continuou inalterado.
As centrais sindicais tentaram negociar para que o contratante da empresa terceirizada se responsabilizasse em arcar com o pagamento dos trabalhadores em caso de falência da empresa terceirizada, o que foi chamado de ‘responsabilidade solidária’. Outro ajuste proposto foi a paridade salarial para os terceirizados em relação aos demais funcionários da empresa contratante. Além disso, representantes dos trabalhadores propuseram que não fosse permitido a quarteirização descontrolada, que se traduz na terceirização de serviços já terceirizados. Nenhuma das alterações ao PL foi aceita, e os trabalhadores voltaram às ruas no último dia 06 de agosto para expressar que não aceitaram a precarização das relações de trabalho.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Marco regulatório da mídia sofre mais derrotas
Enquanto o Palácio do Planalto esfria o projeto do ex-ministro Franklin Martins, sobre os marcos regulatórios da mídia, uma outra iniciativa, que visa reduzir o poderio de fogo dos grandes grupos de comunicação, dorme no Congresso no gabinete do deputado Antonio Imbassahy, ligado à extrema-direita no país, de onde tende a sair com uma negativa para o plenário da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara. Trata-se de um projeto de lei do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), líder da bancada do PR na Câmara dos Deputados e candidato ao governo do Rio de Janeiro em 2014.
Perseguido pela Rede Globo de TV, ainda durante seu último período de governo – o que o levou a promover uma greve de fome –, Garotinho apresentou o projeto de lei 5061, que acaba com um dos sustentáculos financeiros da grande imprensa brasileira, ao eliminar a obrigatoriedade para que empresas publiquem seus balanços em jornais impressos regionais e de circulação nacional.
– O certo é que as empresas publiquem seus balanços na internet e comuniquem seus acionistas – disse a jornalistas o parlamentar fluminense.
Para o deputado, não faz sentido garantir um subsídio à imprensa brasileira, por meio de uma lei que onera o setor produtivo e também causa danos ambientais. O projeto de lei prevê que as empresas tenham apenas que comunicar seus investidores, no prazo de 72 horas, e publicar seus balanços em suas próprias páginas na internet. Se a lei vier a ser aprovada, a publicação mais afetada será o jornal Valor Econômico, uma parceria comercial entre os grupos Folha, de Otávio Frias Filho, e Globo, de João Roberto Marinho, onde a publicação de um balanço chega a custar R$ 800 mil.
– Não tenho medo de retaliação. Vão me atacar porque apresentei um projeto que é bom para o Brasil? – questionou, em recente entrevista ao sítio 247.
Ele disse, ainda, que seu projeto aumenta o corpo mínimo de leitura, para que todos possam, efetivamente, ler as demonstrações financeiras.
– O subsídio é tão escandaloso, que as empresas hoje publicam os balanços com corpo seis, para não serem ainda mais oneradas – repara.
A medida proposta pelo parlamentar do PR segue em linha com a Lei de Meios proposta pelo Partido dos Trabalhadores (PT), mas ninguém no Diretório Nacional estava disponível para falar sobre o assunto, ao ser procurado pelo Correio do Brasil. Ninguém também para comentar sobre a coluna da jornalista Dora Kramer, do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, que coloca uma pá de cal sobre assunto, após reproduzir um elogio da presidenta Dilma Rousseff ao seu ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, por colocar a pauta na geladeira.
“Controle social”
Embora o PT seja favorável à regulação da mídia, o assunto é tratado de forma difusa na agremiação, devido à falta de entendimento entre o partido no governo e o governo apoiado por este partido. Segundo Kramer, colunista do Estadão, jornal que estaria prestes a encerrar sua edição impressa pela absoluta falta de compradores dos exemplares vendidos nas bancas e de assinantes para a versão em papel, que chega desatualizada às residências dos leitores, “o PT anunciou o lançamento de campanhas para recolher assinaturas em apoio a duas emendas constitucionais: uma para instituir o financiamento público eleitoral e outra para ver se consegue criar alguma forma de controle estatal sobre o conteúdo produzido pelos meios de comunicação”. Ela deixa transparecer, no texto, que o Estado estaria interessado em controlar o “conteúdo produzido” pela mídia conservadora quando, na realidade, o objetivo do projeto de lei encaminhado por Franklin Martins visa o fim do cartel midiático em curso no país. Ou seja, desvia o foco para que seus leitores acreditem em um equívoco.
Ainda segundo Kramer, “o partido (PT) já percebeu que ambos os debates são perdidos na sociedade e, assim, não pode contar com ajuda do Planalto nem com apoio dos partidos aliados no Parlamento. Campo onde há interesses conflitantes não é seara em que governos gostem de transitar”.
A cronista repisa, ainda, a insistência do PT em “não deixar a questão do controle da imprensa sair da pauta em contraposição à decisão do governo deixá-lo dormir em berço esplêndido. No meio disso, há a necessidade incontestável de se regulamentar artigos da Constituição de 1988 sobre o funcionamento dos veículos comunicação, além da premência de se organizar legalmente os meios que se disseminaram de lá (quando, por exemplo, não existia internet) para cá”.
E revela que a presidenta Dilma Rousseff a esse respeito, rasgou um elogio ao ministro das Comunicações Paulo Bernardo, ao afirmar que o assistente estava “conduzindo muito bem o assunto” quando recentemente concordou com a necessidade de se debater o chamado marco regulatório, mas acrescentou que isso seria feito no “momento adequado”.
“Como o governo não vislumbra essa adequação no horizonte, a presidente quis dizer ao ministro que a coisa é para ficar assim mesmo, em banho-maria. Até quando? Sabe-se lá”, concluiu
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
VOCÊ SABE COM QUEM SE DEITA?
O cara olha aquele monumento à sua frente e não acredita quando ela diz que pretende fazer um implante para aumentar os seios. Ele não resiste, banca a "cirurgia", casa-se com a moça e inicia uma viagem pelo corpo dela que inclui modificações faciais, da panturrilha, do queixo, inúmeras reduções seguidas de aumento das mamas, lipos, exercícios, saunas, massagens e tudo mais que pude esculpir seu corpo. O cara está em frente ao espelho e contempla os cabelos ralos e embranquecidos e sai do flash back que o levou numa viagem 50 anos ao passado e sabe que esse caminho não tem volta ao verificar que a mulher que está deitada na cama em seu quarto perdeu a elasticidade da pele impedindo que outras cirurgias possam lhe devolver uma juventude e resplendor de outrora. A essa altura, nem o divórcio resolve porque as inúmeras cirurgias, implantes, lipos e acompanhamentos profissionais para manter a beleza de sua mulher exauriram suas finanças. Agora, aos dois resta o velho apartamento em Copacabana (cujo condomínio está atrasado há meses) e a aposentadoria no Senado conseguida com os favores "amorosos" que ela nega até hoje a um parlamentar. A mão desliza lentamente para a arma sobre o armário do banheiro. Ele se arrasta até o quarto e os estampidos nem são percebidos pela vizinhança, que não sente a falta dos dois e só descobre a tragédia guiada pelo odor insuportável que vinha do 1513. Não deu notícia nos jornais.
sábado, 8 de dezembro de 2012
D. Pedro Casaldáliga ameaçado de morte
O bispo Pedro Casaldáliga tem de deixar sua residência em São Félix do Araguaia por sofrer ameaças
O religioso, de 84 anos e que sofre de Parkinson, vem há 40 anos lutando pelos direitos dos povos indígenas Xavante no Brasil
Matéria do jornal “La Vanguardia”, de Barcelona, publicada em 08/12/2012
Tradução livre do original em língua castelhana para língua portuguesa feita por Rafael Oliveira do Prado para o site “Quem tem medo de democracia?”
Barcelona (da Agência Catalã de Notícias – ACN). – O bispo Pedro Casaldáliga, de 84 anos, se viu obrigado a deixar sua residência em São Félix do Araguaia e se refugiar a mais de mil quilômetros de distância por recomendação da Polícia Federal brasileira. O motivo foi a intensificação das ameaças de morte feitas contra Dom Pedro Casaldáliga nos últimos dias, as quais recebe em função do seu trabalho de mais de 40 anos em defesa dos direitos do povo Xavante.
A produtora “Minoria Absoluta”, que trabalha em uma minissérie sobre o religioso, foi uma das que denunciaram a situação. O fato de que o governo brasileiro tenha decidido tomar as terras (sic) dos “fazendeiros” (aspas no original) para devolvê-las aos indígenas, legítimos proprietários, agravou o conflito.
De fato, a produtora afirmou que a equipe que rodava a minissérie teve que modificar seu plano de trabalho. Concretamente, e por recomendação do governo brasileiro, a equipe teve que atravessar a floresta e fazer um trajeto de 48 horas de duração para evitar a zona de conflito.
Casaldáliga se converteu em um alvo para os “invasores” (aspas no original) que se apropriaram fraudulentamente da Terra Indígena (T.I.) Marâiwatsédé do povo Xavante. O bispo, de 84 anos e que sofre de Parkinson, trabalha há anos pelos povos indígenas e seus direitos fundamentais na prelazia de São Félix e se transformou na imagem internacional dessa causa.
Os latifundiários e os colonos que ocuparam fraudulentamente e mediante violência as terras (indígenas), serão despejados em pouco tempo segundo uma Ordem Ministerial que está por ser executada há mais de 20 anos. Segundo a Associação Araguaia com Casaldáliga informou em uma carta, o bispo se vê obrigado a pegar um avião escoltado pela polícia, e atualmente se encontra na casa de um amigo, o qual tem sua identidade e endereço mantidos em segredo por razões de segurança.
“Sentimo-nos plenamente identificados com a defesa da causa indígenas sempre levada adiante pelo bispo Pedro e pela Prelazia de São Félix” (aspas no original), disse a nota da Associação, que exorta à comunidade internacional a velar pela segurança de Casaldáliga e os direitos do povo Xavante.
Através do Twitter circulou o comunicado de apoio do Conselho Indígena Missionário (CIMI) – organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) –, assinado por associações e entidades vinculadas à luta dos povos indígenas e aos direitos humanos
terça-feira, 2 de outubro de 2012
VOTAR
Por Raquel de Queiroz
Não sei se vocês têm meditado como devem no funcionamento do complexo maquinismo político que se chama govêrno democrático, ou govêrno do povo. Em política a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato.
No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: govêrno do povo. Porque, numa democracia, o ato de votar representa o ato de FAZER O GOVÊRNO.
Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar por determinado prazo de tempo.
Escolhem-se pelo voto aquêles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas - e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia.
Escolhemos igualmente pelo voto aquêles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aquêles que irão estipular a quantidade dêsses impostos. Vejam como é grave a escolha dêsses "cobradores". Uma vez lá em cima podem nos arrastar à penúria, nos chupar a última gôta de sangue do corpo, nos arrancar o último vintém do bôlso.
E, por falar em dinheiro, pelo voto escolhem-se não só aquêles que vão receber, guardar e gerir a fazenda pública, mas também se escolhem aquêles que vão "fabricar" o dinheiro. Esta é uma das missões mais delicadas que os votantes confiam aos seus escolhidos.
Pois, se a função emissora cai em mãos desonestas, é o mesmo que ficar o país entregue a uma quadrilha de falsários. Êles desandam a emitir sem conta nem limite, o dinheiro se multiplica tanto que vira papel sujo, e o que ontem valia mil, hoje não vale mais zero.
Não preciso explicar muito êste capítulo, já que nós ainda nadamos em plena inflação e sabemos à custa da nossa fome o que é ter moedeiros falsos no poder.
Escolhem-se nas eleições aquêles que têm direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático. E, circunstância mais grave e digna de todo o interêsse: dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de tôdas as fôrças armadas: o exército, a marinha, a aviação, as polícias.
E assim, amigos, quando vocês forem levianamente levar um voto para o Sr. Fulaninho que lhes fêz um favor, ou para o Sr. Sicrano que tem tanta vontade de ser governador, coitadinho, ou para Beltrano que é tão amável, parou o automóvel, lhes deu uma carona e depois solicitou o seu sufrágio - lembrem-se de que não vão proporcionar a êsses sujeitos um simples emprêgo bem remunerado.
Vão lhes entregar um poder enorme e temeroso, vão fazê-los reis; vão lhes dar soldados para êles comandarem - e soldados são homens cuja principal virtude é a cega obediência às ordens dos chefes que lhe dá o povo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos, passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se nós próprios fôssem.
Entregamos a êsses homens tanques, metralhadoras, canhões, granadas, aviões, submarinos, navios de guerra - e a flor da nossa mocidade, a êles prêsa por um juramento de fidelidade. E tudo isso pode se virar contra nós e nos destruir, como o monstro Frankenstein se virou contra o seu amo e criador.
Votem, irmãos, votem. Mas pensem bem antes. Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva.
Porque, afinal, a mulher quando é ruim, dá-se uma surra, devolve-se ao pai, pede-se desquite. E o govêrno, quando é ruim, êle é que nos dá a surra, êle é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da bôca dos nossos filhos e nos faz aprodecer na cadeia. E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo.
E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar êste ou aquêle candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto.
Se o obrigam a prometer, prometa. Se tem mêdo de dizer não, diga sim. O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha. Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem mêdo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. Falte com a palavra dada à fôrça, e escute apenas a sua consciência. Palavras o vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno".
Mais uma eleição...
Já deu...
O horário eleitoral que nos é imposto goela abaixo não dá margem para escolhas.
É tudo igual ao que aconteceu em eleições passadas. Candidatos que falam seu número e nome e repetem uma frase definida pelos marqueteiros de plantão.
Pior é que no Brasil estratificou-se a máxima de quem tem a grana tem o conhecimento, o que deixa o País à beira do ridículo quase imperceptível porque a grande maioria consolidou uma profissão que ninguém quer admitir mas que existe: a do puxa-saco profissional.
E entre incompetentes endinheirados e puxa-sacos submissos, a política nacional vai se arrastando numa modorra nauseabunda, repetindo práticas como a da inauguração ad nauseam de obras às vésperas das eleições.
Seja você de que cidade for, a prática certamente é a mesma.
Diante deste quadro, não espanta que muita gente encare o ato de votar com enfado, decidindo na hora por um candidato que muita das vezes é escolhido pela qualidade do material distribuído na malfadada boca de urna, que o TRE proíbe, mas que continua existindo.
Dia 7 de outubro, tô lá.
Já escolhi meus candidatos dentre as opções que me deram (e não são muitas nem tangenciam as que eu desejaria).
Mas vou lá cumprir meu dever cívico que entra eleição sai eleição arranha, mas não soterra, minha esperança de um país mais justo e realmente democrático.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
A culpa é do juiz...
É lamentável que a imprensa patrocine uma verdadeira caçada aos juízes, amenizando as péssimas condições dos gramados, as atitudes de dirigentes e treinadores que, por sua vez, estimulam seus jogadores a reclamarem de todas as marcações da arbitragem, inviabilizando que a partida transcorra normalmente.
É um absurdo que treinadores ganhem salários de seis dígitos (beirando os sete) para ficar incitando os jogadores a cometerem faltas absurdas, verdadeiras agressões a quem ousa jogar futebol.
Há um treinador de "primeira linha" no futebol brasileiro famoso por transformar as equipes em verdadeiras máquinas de bater e os jogadores em gladiadores que visam as canelas e outras regiões dos corpos de seus adversários em primeiro lugar. A bola é um detalhe.
Os juízes erram aqui e em outros cantos do planeta, mas só aqui eles servem para justificar a derrota de times, diretores e treinadores medíocres, que não têm técnica, são incompetentes e não sabem armar times, mas se especializaram em debitar às arbitragens todas as mazelas de suas equipes.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Pra quando 2016 chegar...
O transporte está caótico? Você vai ver as mudanças em 2016. A SuperVia adquiriu novas composições. O Metrô fez o mesmo. Os corredores preferenciais começaram a ser implantados. Mas em 2016!
A Saúde está completamente abandonada. Pessoas morrem nas filas de espera. O atendimento é desumano, faltam remédios, os profissionais estão nitidamente desmotivados. Isso até 2016! É o que garantem os gestores do Rio de Janeiro.
E a Educação? Em 2016 o Rio voltará a ostentar o status de referência!
Enquanto isso, os desmandos da SuperVia continuam e cada vez mais despropositados e sem qualquer justificativa.
A última da SuperVia é que um débil mental foi colocado como "administrador" da Estação de Engenho de Dentro que, por sinal, está em péssimo estado com buracos no teto que obrigam os usuários a se valerem de guarda-chuvas para se livrarem das goteiras.
A única providência tomada por esse débil mental foi a de inverter o sentido das escadas rolantes.
Quem conhece a Estação Engenho de Dentro sabe o quanto é íngreme a inclinação da plataforma de embarque em relação à plataforma de desembarque e pode avaliar o absurdo que constitui tal inversão.
O pior de tudo é que não existem rampas que facilitem o acesso de idosos, gestantes e portadores de necessidades especiais.
Mas que importância tem isso.
Para uma empresa que já chicoteou passageiros. Que acha normal que um trem trafegue pela via sem maquinista. Que teve sua concessão renovada por mais 25 anos depois de todos esses absurdos. E que em logo em seguida repassou a concessão sabe-se lá porquê o que tem nomear um débil mental para comandar uma das estações?
O que acontece na Estação Engenho de Dentro explica porque um País com imensas possibilidades continua integrando o rol do Terceiro Mundo.
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O guardião do espaço...
No meu local de trabalho num dos raros momentos de calmaria. O clik é do companheiro Claudionor Santana
Quem sou eu
- Conspiração Democrática
- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- Jornalista e escritor, com passagens por jornais como Última Hora, Jornal do Commercio, O Dia e O Globo, atualmente sou Assessor de Comunicação do Sintergia (Sindicato que representa os trabalhadores do Setor Elétrico do Rio de Janeiro).



