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terça-feira, 25 de novembro de 2008

A Educação cidadã



O Brasil tem 198.502 escolas, das quais 235 federais, 33.131 estaduais e 132.571 municipais, além de 32.565 particulares, segundo dados do IBGE/Pnad e Ministério da Educação/Inep.
Segundo ainda estas fontes, 11,1% da população brasileira de 15 anos ou mais não são alfabetizados. É um índice ainda muito alto num país que pretende crescer e que precisa de mão-de-obra especializada para atender à crescente demanda da indústria de ponta.
Ainda no campo das estatísticas - todas relativas a 2007 - somos informados de que há 52,9 milhões de estudantes matriculados, sendo 46.610.710 em escolas públicas e 6.358.746 em escolas privadas.

Não sou apegado a números, mas fiz questão de citar os dados acima para dimensionar a importância do ensino público para a formação da população brasileira, exercendo, principalmente, a função de garantir cidadania a quem procura o ensino público.
Além dos números, é preciso que Governo e sociedade se empenhem em tornar o Brasil um país cidadão, investindo pesadamente na inclusão de milhões de brasileiros alijados do direito fundamental à informação.
Enquanto o Sul e o Sudeste pensam em universalizar o direito à Internet, ainda existem inúmeras salas de aula indignas desse nome país afora, pois estão desprovidas de luz elétrica, água potável e instalações minimamente adequadas ao seu objetivo primordial.
Eu poderia citar mais e mais números, mas prefiro tocar corações e mentes que, como eu, bradem por mais investimento em Educação para que sejamos, aí sim, um país igualitário, com direitos e oportunidades iguais.
O retorno dos investimentos em Educação são a médio e longo prazos e, por isso, devemos nos manter vigilantes e garantir que tais investimentos não sejam esporádios ou que fiquem à mercê da vontade de eventuais governantes, mas que se constituam na principal meta de uma nação que até hoje perpetua o slogan de país em desenvolvimento.
O Brasil é rico, mas seu povo tem que estar habilitado a transformar as matérias-primas que tem em seu território em produtos para o resto do mundo.
Mais que isso, o Brasil tem de gestar um novo processo político, para não repetir o modelo colonialista dos EUA e da Europa. Enfim, ser mais generoso nas suas relações comerciais e humano na política externa.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O futebol entre a paixão e a realidade

O futebol brasileiro continua sendo o melhor do mundo, mas contraditoriamente os maiores craques não estão aqui. Ou melhor, saem daqui cada vez mais cedo e vão desfilar seus talentos em territórios estrangeiros.
Enquanto isso, o Campeonato Brasileiro sofre da indigência de talentos e os treinadores passaram a ser os grandes astros do futebol tupiniquim. Exemplos disso são Wanderley Luxemburgo e Muricy Ramalho, seguidos de perto por nomes como Mano Menezes (que deu ao Corinthians o título da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro) e Caio Jr. (que está enfrentando o desafio de fazer com que a paixão dos rubronegros transforme jogadores medianos em craques).
Na outra ponta, os clubes estão cada vez mais endividados, devendo ao INSS, jogadores, treinadores e funcionários e esmagados sob o peso da "Lei Pelé" (o nome dessa lei é um atentado contra o maior jogador de futebol de todos os tempos), que facilita a venda de jogadores e deu aos empresários o poder que antes era dos clubes. Há casos de jogadores que têm três, quatro ou mais empresários e cujos contratos têm de ser fatiados para aplacar a sede de grana de todos.
Diante da conivência de dirigentes e da avidez por lucro rápido dos empresários, o futebol perde talentos cada vez mais jovens. Se antes os jogadores saíam do Brasil depois dos 20 anos, hoje há casos de garotos de 14 anos que já têm contrato com clubes estrangeiros.
Somando tudo isso, sobre para os amantes do futebol no Brasil. O Campeonato está terminando, mas não existe aquele craque acima de todas as paixões que encante tanto a torcedores, cronistas, jornalistas e dê ao futebol brasileiro a sensação de que ainda somos os melhores.
Diante disso, resta como consolo aos amantes do futebol apelar para as transmissões via satélite e ver em campos de Espanha, Inglaterra, Itália e Portugal, os maiores jogadores do mundo, que saíram daqui garotos e agora são cidadãos do mundo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A realidade não permite lembranças


Os canais de TV no Brasil são concessão pública. Por isso mesmo não dá pra entender que um programa em horário nobre seja entregue a pessoas sem nenhum compromisso com nossa história, nossos ideais e, ainda mais, com o futuro de nossos filhos.
Dói acionar o controle remoto e ver aqui uma "senhora" entrevistando prostitutas, travestis e donos de inferninho. Ali, programas "religiosos" anunciando a salvação a preços módicos. E acolá novelas sem nenhum sentido, onde as pessoas mudam de caráter como quem troca de roupa.
Ouvir rádio (também concessão pública) nem pensar. A lavagem cerebral combinada consiste na repetição das mesmas músicas e nos gritos histéricos, palavrões e erros gramaticais dos apresentadores. Parece que são as mesmas estações em sintonias diferentes.
Decido ir a uma locadora e descubro que a mesma foi fechada há tempos, vitimada pela enxurrada de DVD's piratas a preços módicos. Por ironia, em frente à outrora locadora está postada uma banca oferecendo CD's e DVD's piratas em que a grande maioria é de filmes pornô, pagodeiros, música sertaneja (na realidade boleros eletrificados e cantados à moda country americana), filmes de ação onde os americanos fazem propaganda indireta de sua indústria armamentista e os famigerados "pancadões".
Desisto, volto pra casa e ligo o som, percorro minha estante e vejo os CD's de Cartola, João Gilberto, Leny Andrade e Djavan, entre outros e nem ouso passar os olhos pela minha coleção de jazz. Seria demais!
A realidade não permite lembranças. E coloco o último CD de Djavan, "Matizes", produção independente porque nas gravadoras de hoje não há mais lugar para trabalhos de qualidade. Nestas gravadoras imperam os pancadões, pagodes e sertanejos descartáveis.
As músicas de "Matizes" não tocam nas rádios porque Djavan, certamente, não está pagando o "jabá" pago pelas gravadoras, mas como consolo termino a noite ao som dos acordes geniais de um negro que resistiu à tentativa dos "donos" da mídia e não permitiu que o rotulassem de "sambista". Sim, Djavan é mais que isso. É um cantor, compositor e instrumentista genial que ainda se permite sonhar.
Pode até ser bobagem, mas dormi com a sensação de que ainda vale a pena resistir a isso que está aí e ainda acreditando que tudo pode mudar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Acima de tudo, Luana


Luana Piovani é linda. E isso é o óbvio.
Mas Luana é muito mais que isso. É uma excelente atriz e um espírito inquieto, que busca muito além do reconhecimento artístico a felicidade. Como qualquer um de nós, aliás.
Mas a beleza de Luana faz com que a mídia torne superlativo qualquer ato dela, por mínimo que seja. E Luana não aprendeu a lidar com isso até hoje.
Aliás, a pobreza da grande imprensa há muito tempo fez com que o conteúdo cedesse lugar ao supérfluo, ao aparente e ao escandaloso.
Luana é íntegra e jamais usou sua beleza como uma arma (se é que vocês me entendem) como muitas com menos beleza que ela, mas com muito mais, digamos, senso de oportunidade fizeram e fazem. Algumas conseguem espaços generosos na mídia e a proteção dos poderosos (e a esses a grande imprensa respeita ou teme).
Eu torço para que a beleza de Luana atinja seu explendor. E estou falando da mulher, do ser humano, da artista inquieta e não desse personagem trágico-cômico em que a grande imprensa teima em tentar rotulá-la.
Apesar dessa armadura com que você se cobre, Luana, eu sei que você também gosta de carinho. E essa crônica é somente isso. Um gesto de carinho para um ser humano que só quer ser feliz.

Obama é a esperança na crise

A candidatura de Barack Obama (hoje vitoriosa) começou cercada de expectativas e uma certa estranheza. Seria possível que num país de revelada discriminação contra os negros a candidatura de Obama teria alguma chance?
O tempo foi passando e Obama ganhando mais espaço para superar, nas prévias do seu próprio partido, o Democrata, Hillary Clinton. Nesse segundo momento, Obama mostrou equilíbrio, discursos eloqüentes e capacidade de duelar em várias esferas.
Houve muita insistência de toda mídia para que Hillary fosse a vice na chapa de Obama, mas ele fugiu dessa armadilha (ela seria durante todo o seu mandato uma sombra) e seguiu em frente.
O candidato republicano tentou o tempo todo se colocar como o grande pai grande, desqualificando Obama e tentando taxá-lo como inexperiente e sem capacidade de liderar a política internacional.
Os republicanos perderam ao não perceberem que Obama ultrapassou as fronteiras dos EUA e se tornou uma figura respeitada internacionalmente.
Obama é a esperança de uma política externa dos EUA mais humanizada e menos propença à arrogância e virulência da era Bush.
Ave Obama! Você nos devolveu a esperança. E isso, por si só, já é muito no mundo de hoje.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A bola fora de Dunga

O futebol sempre foi reconhecido por sua criatividade e ginga. A seleção de Dunga, ao contrário, é a demonstração mais clara de que hoje todo mundo joga igual: muita marcação quando não se tem a posse da bola, incluindo-se aí os atacantes.

Com isso, sobra muito pouco espaço para a criatividade. E quando se assiste aos jogos da seleção, vê-se claramente que o time não tem esquema, ninguém sabe o que fazer da bola, mas todo mundo sabe o que Dunga quer: marcar!

E para atender ao mestre colocado no posto pelo todo poderoso presidente da CBF, Ricardo Teixeira, Robinho marca, Kaká Marca, Ronaldinho Gaúcho tem de marcar, e, obviamente, todo mundo tem de marcar.

Mas não ta faltando uma coisa? Quem cria nesta seleção de Dunga?

O meio de campo dos últimos jogos — Elano, Gilberto Silva e Josué — é de matar. Kaká e Robinho bem que tentam, mas a bola volta quadrada. Na frente, Jô foi mais um poste a ser ultrapassado.

Dunga tem uma trajetória como jogador que deve ser respeitada. Mas sua participação como treinador é a antítese do futebol brasileiro: sem criatividade, sem ginga, sem alma e sem motivação.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Rio de Janeiro merece mais

As eleições de 5 de outubro de 2008 ficarão marcadas pelo recado que o povo deixou nas urnas. Ficou claro que a população não aceita as opções oferecidas pelos partidos. A votação obtida por Gabeira deve-se em parte à rejeição a Crivella e também ao espírito irônico do carioca que preferiu confrontar a pourraloquice à mesmice do que ter de optar no segundo turno entre o nada e o vazio.

Louve-se o espírito guerreiro de Alexandre Molon, que, num primeiro momento, resistiu ao rompimento da aliança costurada com o PMDB para mais tarde ainda encontrar forças para superar o fogo amigo do PT de onde vinham as mais estapafúrdias sugestões de alianças sem nenhum conteúdo programático em nome de uma unidade externa que não se conseguiu internamente.

Alexandre Molon pode ter uma trajetória brilhante dentro do PT. Mostrou determinação e seguiu em frente mesmo quando o partido patinava num mar de indecisões vindas de Brasília, de São Paulo e de lugares nunca dantes navegados.

Espero que Molon tenha a humildade que faltou a outros integrantes do PT que confundiram a votação que obtiveram no plano individual com a visibilidade que ganharam ao concorrer a cargos majoritários.

Em alguns casos, o fato de tangenciar o poder subiu à cabeça e o antes militante e eventual postulante a um cargo no Executivo transmudou-se numa entidade à parte, com compromissos particulares, e objetivos obscuros que passam ao largo do projeto defendido pelo PT.

Em outros, o nome superou o personagem, que já não consegue pensar coletivamente e não vislumbra o papel que teria de desempenhar para tirar o PT de um papel secundário na Câmara Municipal do Rio, nem dar ao candidato ao cargo majoritário do partido mais que parcos 4% ou um pouco mais.

E o pior é que as eleições de 2008 comprovaram que o problema não é, simplesmente, a troca de nome do candidato. O PT do Rio tem de pensar 2012 sem esquecer 2010, quando viveremos a transição das primeiras eleições sem Lula candidato.

A crise mundial que se instalou a partir do governo intervencionista e armamentista de Bush nos EUA pode influir no panorama de 2010, mas o maior problema será livrar o PT do rol de alianças que teve de fazer em nome da governabilidade de Lula.

Vivenciamos isso em 2008 e enquanto presenciávamos um partido impedido de capitalizar o desempenho pessoal de Lula em nome das tais alianças, víamos o governador Sérgio Cabral escancarar apoios (em todos os sentidos) aos candidatos do PMDB.

Não dá pra pensar no futuro do PT do Rio de Janeiro sem fazer uma análise profunda sobre o preço que pagamos em nome das alianças que possibilitaram a governabilidade de Lula e catapultaram sua popularidade a números jamais vistos na história deste País.

Em 2008, o PT do Rio não fez o dever de casa. Não teve um plano de governo porque não fez uma análise de conjuntura anterior, como deveria. Fez uma aliança temerária com o PMDB de Cabral sem considerar que o PMDB é uma colcha de retalhos com muitos fios soltos e algumas agulhas perdidas entre as costuras.

O quociente eleitoral do PT no Rio contraria os números por todo o País e isso, por si só, já merece uma reflexão.

Em respeito ao povo do Rio de Janeiro, a sua militância e a sua trajetória, o PT tem de oferecer as alternativas que o carioca merece.

O guardião do espaço...

O guardião do espaço...
No meu local de trabalho num dos raros momentos de calmaria. O clik é do companheiro Claudionor Santana

Quem sou eu

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Jornalista e escritor, com passagens por jornais como Última Hora, Jornal do Commercio, O Dia e O Globo, atualmente sou Assessor de Comunicação do Sintergia (Sindicato que representa os trabalhadores do Setor Elétrico do Rio de Janeiro).