Espaço para discutir ética, política e vida! O Conspiração Democrática continua antenado para discutir o Brasil e o mundo. Aqui são permitidas postagens para que outras pessoas possam emitir suas opiniões. Definitivamente, todo e qualquer espaço que surja como alternativa ao que se publica hoje na mídia brasileira é válido. Entre, a casa é sua. E o espaço é nosso. Comente, concorde, discorde, dê uma outra opinião. Afinal, democracia se constrói no dia-a-dia.
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
A sétima vítima
O Ministério da Saúde confirmou que até agora são 10 os casos de febre amarela em 2008, com sete mortes provocadas pela doença. Infelizmente, o número de mortes este ano já supera os de 2006 e 2007 somados. Mas segundo as autoridades não há motivo para alarmes e somente as pessoas com viagem marcada para as áreas de risco devem se vacinar. Segundo o Ministério, nenhuma das vítimas fatais havia se vacinado.
Lobão eletrificado
O ar em Brasília era de constrangimento. Mas o presidente Lula confirmou ontem o senador Edison Lobão (PMDB-MA) como o novo ministro de Minas e Energia. Lobão assume o cargo fragilizado pelas denúncias contra seu suplente, Edison Lobão Filho (DEM) que assumirá sua vaga no Senado. Lobão Filho é acusado, entre outras coisas, de ter usado uma empregada doméstica como laranja para ocultar do Fisco dívidas de uma distribuidora de bebidas da qual foi sócio.
O assassinato de Chávez
Em uma coisa Hugo Chávez é campeão. Diariamente ele fornece assunto para a imprensa, principalmente a sensacionalista. Ontem, Chávez denunciou um suposto plano para matá-lo, urdido, segundo ele, por militares da Colômbia e dos Estados Unidos, que seria do conhecimento do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Sem apresentar provas da acusação, Chávez diz que o objetivo de seu assassinato seria o de deflagrar uma guerra entre Venezuela e Colômbia.
Motoristas aditivados
O Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom) obteve liminar que permite a venda de bebidas alcoólicas nas lojas de conveniência (de quem?) dos postos de gasolina. A decisão surge na contramão da preocupação das autoridades com o aumento de acidentes com vítimas fatais nas estradas.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
O adeus de Guga
Era somente mais uma coletiva de imprensa, mas Guga surpreendeu a todos anunciando que este ano deixa o circuito profissional de tênis. Com o adeus de Guga, o tênis brasileiro fica sem nenhum representante de peso demonstrando, mais uma vez, que o esporte no Brasil não tem merecido a devida atenção de autoridades e patrocinadores.
Exceções como Guga e Senna dão uma falsa impressão de que tênis e automobilismo têm alguma importância no Brasil. Depois de Senna, só decepções até agora. E depois de Guga? A continuar como está, o tênis no Brasil ficará na sombra, até que um novo fenômeno, como Guga, apareça.
Exceções como Guga e Senna dão uma falsa impressão de que tênis e automobilismo têm alguma importância no Brasil. Depois de Senna, só decepções até agora. E depois de Guga? A continuar como está, o tênis no Brasil ficará na sombra, até que um novo fenômeno, como Guga, apareça.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
As fundamentais coisas simples
Não quero mais uma grande paixão, avassaladora...
Quero um amor que me dê paz, me acalme, me faça feliz...
Não quero mais lutar pelas causas impossíveis...
Quero sonhar um sonho plausível e descansar...
Fazer coisas triviais como se fossem excepcionais...
Tomar água de coco, andar de mãos dadas, beijar...
Ouvir Djavan, Sara Vaughan, Nina Simone e descansar
O fim de semana inteiro, sem culpas, deixar-me levar...
Tomar uma cervejinha, que ninguém é de ferro...
Falar besteiras, contar mentiras inofensivas...
Cometer burrices e rir delas sem temer o julgamento alheio...
E, se possível, reencontrar num dia de sol o menino que já fui.
Quero um amor que me dê paz, me acalme, me faça feliz...
Não quero mais lutar pelas causas impossíveis...
Quero sonhar um sonho plausível e descansar...
Fazer coisas triviais como se fossem excepcionais...
Tomar água de coco, andar de mãos dadas, beijar...
Ouvir Djavan, Sara Vaughan, Nina Simone e descansar
O fim de semana inteiro, sem culpas, deixar-me levar...
Tomar uma cervejinha, que ninguém é de ferro...
Falar besteiras, contar mentiras inofensivas...
Cometer burrices e rir delas sem temer o julgamento alheio...
E, se possível, reencontrar num dia de sol o menino que já fui.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Márcia, muito além daqui
As recentes discussões sobre o fim da CPMF, o aumento da CSSL e a crise no Quênia não fazem parte do mundo misterioso de Márcia. Aparentemente, ela tem uma fixação inexplicável pelo fogo. Faça sol ou faça frio, ela sempre está juntando folhas, restos de papel ou papelão e fazendo uma fogueira de significado sutilmente indecifrável.
Praticamente invisível, Márcia só é notada quando aborda algum passante pedindo um cigarro. A concessão ou recusa não provocam qualquer mudança em sua fisionomia. Quando atendida, ela acende automaticamente o cigarro e sai dando suas baforadas até encontrar um lugar onde fica de cócoras por horas e horas, quase imóvel, a não ser pelos repetidos gestos de levar o cigarro obtido com algum passante até a boca.
Faça frio ou calor, Márcia sempre está vestida com um shortinho de menino e uma camiseta. E dia após dia repete a rotina do invisível ser que só é notado quando pede um cigarro a alguém. Até hoje não sei se Márcia come, onde come e quem lhe fornece comida. Às vezes, num rompante, ela dispara uma série de grunhidos inintelegíveis falando sabe-se lá com quem.
Em diversas ocasiões tentei encontrar o olhar de Márcia, mas ela tem uma incrível habilidade em evitar o olhar de quem quer que seja. Ela mira, sempre, o horizonte.
Até que um dia Márcia foi tomada de um rompante de violência e saiu danificando os carros estacionados na rua. Quebrou o retrovisor de um. Amassou a lataria de outro. Arranhou a pintura de um zerinho. Foi um escarcéu porque ninguém sabia o que fazer, até porque Márcia já fazia parte do inconsciente de todos nós. Ela estava lá. Quase invisível mas estava lá. Até que alguém conseguiu interná-la numa instituição onde ficou por meses.
Perto do Natal, Márcia voltou. E permanece a mesma. Parada por horas, abordando os passantes à procura de um cigarro e, felizmente, sem rompantes de violência.
No Natal, resolvi tentar me aproximar de Márcia. Coloquei duas rabanadas deliciosas num pratinho e entreguei-o a Márcia (não ousei incluir um garfo ou colher). Ela aceitou-o, virou-me as costas e foi pro seu cantinho. Esperei um tempo, depois desisti e fui pra casa.
Dias depois, passei e lá estava Márcia. Ela só me pediu cigarro uma vez e nunca mais me abordou. Mas nesse dia, se aproximou de mim, com o pratinho que eu lhe entregara vazio em uma das mãos e um galho de uma planta desconhecida na outra. Entregou-me o galho e se foi.
Todo dia quando passo, vejo que Márcia mantém o prato que lhe dei como um troféu, mas nunca mais me abordou. Ela continua lá cumprindo a sua rotina de nos mostrar que somos quase nada sem a nossa consciência humana de solidariedade e convivência em sociedade. Sem objetivos. Querendo, como Márcia, apenas uma coisa. Alguns, dinheiro. Outros, sexo. Outros, ainda, poder. Mas, felizmente, a grande maioria ainda quer viver. Em toda sua amplitude. Superando os maus momentos. E usufruindo dos bons. Mas, principalmente, interagindo com os seres à nossa volta. Procurando uma convivência que dê sentido às nossas vidas.
Praticamente invisível, Márcia só é notada quando aborda algum passante pedindo um cigarro. A concessão ou recusa não provocam qualquer mudança em sua fisionomia. Quando atendida, ela acende automaticamente o cigarro e sai dando suas baforadas até encontrar um lugar onde fica de cócoras por horas e horas, quase imóvel, a não ser pelos repetidos gestos de levar o cigarro obtido com algum passante até a boca.
Faça frio ou calor, Márcia sempre está vestida com um shortinho de menino e uma camiseta. E dia após dia repete a rotina do invisível ser que só é notado quando pede um cigarro a alguém. Até hoje não sei se Márcia come, onde come e quem lhe fornece comida. Às vezes, num rompante, ela dispara uma série de grunhidos inintelegíveis falando sabe-se lá com quem.
Em diversas ocasiões tentei encontrar o olhar de Márcia, mas ela tem uma incrível habilidade em evitar o olhar de quem quer que seja. Ela mira, sempre, o horizonte.
Até que um dia Márcia foi tomada de um rompante de violência e saiu danificando os carros estacionados na rua. Quebrou o retrovisor de um. Amassou a lataria de outro. Arranhou a pintura de um zerinho. Foi um escarcéu porque ninguém sabia o que fazer, até porque Márcia já fazia parte do inconsciente de todos nós. Ela estava lá. Quase invisível mas estava lá. Até que alguém conseguiu interná-la numa instituição onde ficou por meses.
Perto do Natal, Márcia voltou. E permanece a mesma. Parada por horas, abordando os passantes à procura de um cigarro e, felizmente, sem rompantes de violência.
No Natal, resolvi tentar me aproximar de Márcia. Coloquei duas rabanadas deliciosas num pratinho e entreguei-o a Márcia (não ousei incluir um garfo ou colher). Ela aceitou-o, virou-me as costas e foi pro seu cantinho. Esperei um tempo, depois desisti e fui pra casa.
Dias depois, passei e lá estava Márcia. Ela só me pediu cigarro uma vez e nunca mais me abordou. Mas nesse dia, se aproximou de mim, com o pratinho que eu lhe entregara vazio em uma das mãos e um galho de uma planta desconhecida na outra. Entregou-me o galho e se foi.
Todo dia quando passo, vejo que Márcia mantém o prato que lhe dei como um troféu, mas nunca mais me abordou. Ela continua lá cumprindo a sua rotina de nos mostrar que somos quase nada sem a nossa consciência humana de solidariedade e convivência em sociedade. Sem objetivos. Querendo, como Márcia, apenas uma coisa. Alguns, dinheiro. Outros, sexo. Outros, ainda, poder. Mas, felizmente, a grande maioria ainda quer viver. Em toda sua amplitude. Superando os maus momentos. E usufruindo dos bons. Mas, principalmente, interagindo com os seres à nossa volta. Procurando uma convivência que dê sentido às nossas vidas.
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O guardião do espaço...
No meu local de trabalho num dos raros momentos de calmaria. O clik é do companheiro Claudionor Santana
Quem sou eu
- Conspiração Democrática
- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- Jornalista e escritor, com passagens por jornais como Última Hora, Jornal do Commercio, O Dia e O Globo, atualmente sou Assessor de Comunicação do Sintergia (Sindicato que representa os trabalhadores do Setor Elétrico do Rio de Janeiro).